Não é porque o Japão fica literalmente do outro lado do mundo, ou porque a diferença do fuso horário é de 12 horas… Mas, a cultura, o funcionamento das coisas, os hábitos da população… tudo é bastante diferente do que estamos acostumados. Por isso, viajar ao Japão requer um bom planejamento. Vou escrever neste post sobre as coisas que considero mais essenciais dentre os preparativos de viagem ao Japão.

VISTO

Brasileiros precisam de visto para visitar o Japão, seja qual for o motivo da viagem. Falando mais especificamente do visto turismo, de maneira bem resumida:

  • o visto deve ser solicitado dentro dos três meses que antecedem a viagem,
  • a passagem de ida e de volta deve ser apresentada (isso mesmo, a passagem tem que ser comprada antes do visto 😮 ),
  • o requerente precisa comprovar que tem condições financeiras de bancar sua permanência por lá (declaração de imposto de renda, contracheque, extrato bancário etc) e
  • é necessário preencher um cronograma detalhando as informações de hospedagem e também relacionando as atrações turísticas em cada cidade a ser visitada.

Neste post detalho melhor o processo de obtenção do visto de turismo ao Japão.

 

JR PASS
preparativos de viagem ao japão

Trem da JR.

O JR Pass – ou Japan Rail Pass – é um passe da Japan Rail, grupo de empresas de trens do Japão. Ele permite viagens ilimitadas de trem (com uma ou outra exceção) dentro do seu período de validade, que pode ser de 7, 14 ou 21 dias corridos.

Em um primeiro momento, o valor do passe pode assustar, mas as passagens de trem individualmente também não são baratas. Existem alternativas ao JR Pass, como passes de abrangência regional e rotas de ônibus. Ainda, um roteiro com poucos deslocamentos pode não justificar o gasto com o passe.

Enfim, o JR Pass pode significar uma boa economia, mas não é imprescindível para quem vai ao Japão. Como a grande maioria dos passes, sejam de transporte ou de atrações turísticas, é preciso fazer as contas para verificar se vale a pena. Escrevi aqui um post mais detalhado para ajudar a analisar se o JR Pass compensa.

 

INTERNET

Minhas primeiras viagens mais significativas foram baseadas em mapas de papel, guias impressos e a busca de alguma lan house de vez em quando, só para dar sinal de vida e saber algumas notícias da terrinha 😀 . Por isso, de modo geral o wi-fi da hospedagem e um ou outro acesso ao longo do dia (por exemplo, em um restaurante) costumam ser suficientes para mim.

Porém… internet no Japão é im-pres-cin-dí-vel! Olha, eu queria encontrar as pessoas que foram para lá a turismo na era pré-internet e parabenizá-las!

Especialmente nos lugares de maior fluxo de turistas como aeroportos, estações de trem e principais atrações turísticas, muitas coisas estão em inglês. E, de modo geral, os japoneses falam inglês, nem que seja o básico. Acontece que muitas vezes a pronúncia deles é difícil de compreender, por mais boa vontade que tenham – e eles são muito solícitos! Então, ter um aplicativo de tradução e uma internet à mão para buscar qualquer informação faz muita diferença.

Quanto ao uso de mapas, então, nossa! É o tempo todo. Para deslocamentos entre cidades próximas, para uso do transporte interno de uma cidade e para trajetos a pé. Especialmente nas cidades grandes. E da mesma forma que o tradutor, sim, aplicativos de mapas também funcionam offline, mas as informações online são muito mais completas e dão mais flexibilidade no roteiro.

Acreditem, internet é vida lá. Acho que, sem o Google Maps, eu estaria perdida em Tóquio até hoje. 😀

Pocket Wi-fi

Para facilitar as coisas, eles tem um aparelhinho super prático e útil conhecido por pocket wi-fi. É um aparelho pequeno que roteia o sinal de internet para mais de um dispositivo. Ou seja, dá para rachar o custo do seu aluguel entre as pessoas que vão usá-lo. Há mais de uma empresa que oferece esse serviço. Nós alugamos o da Ninja Wi-fi e foi absolutamente perfeito, nos deixou conectados 100% do tempo. A gente deixava carregando à noite e sua bateria durava praticamente o dia inteiro.

O aparelho tem que ser alugado previamente, já informando em qual aeroporto ele será retirado e em qual ele será devolvido. No caso de voos que cheguem fora do horário comercial, dá para pedir a entrega para o local de hospedagem.

Há outras opções, como sair do Brasil com um plano de roaming internacional ou adquirir um Simcard por lá. E não dá para contar com o uso dos pontos de wi-fi grátis, mesmo havendo muitos: em aeroportos, estações, restaurantes e etc. Por isso, para nós o pocket wi-fi foi a melhor relação custo x benefício. Recomendo.

 

Época da visita
Primavera

Provavelmente tu já tenhas ouvido falar da sakura – a flor da cerejeira –  e de todo o simbolismo de um novo ciclo que se inicia para o povo japonês. Mas, se por um lado há muitos eventos acontecendo e as paisagens estão magníficas tanto com as sakuras quanto com diversos outros tipos de flores, por outro lado o fluxo de turistas que vai ao Japão nessa época é o maior do ano. Isso significa atrações turísticas, hospedagens e meios de transporte mais cheios e concorridos (e, em alguns casos, mais caros).

Para dar uma ideia, olha que lindeza o relato da Lulu Freitas, do blog Let’s Fly Away, sobre sua viagem ao Japão na época das sakuras.

Outono

Assim como a primavera, o outono oferece uma grande vantagem que é a de apresentar temperaturas amenas. Mas não só isso: a vegetação ganha tons que vão do amarelo, passam pelo laranja e chegam ao vermelho, formando cenários maravilhosos.

Sugiro a leitura de outra lindeza de relato, desta vez da Adriana Lage, do blog A Camminare, falando sobre sua ida ao Japão durante o outono.

Verão

Essa estação parece ser a menos aconselhada para uma visita ao Japão. Chuvosa em junho e com temporada de tufões entre agosto e setembro. A estação como um todo apresenta um desconfortável calor úmido. Os aspectos positivos são a possibilidade de escalar o Monte Fuji, diversos festivais acontecendo pelo país, espetáculos de fogos de artifício e, ainda, poder aproveitar praia em Okinawa (sim, praia – e linda!).

Inverno

Essa foi a estação da nossa viagem. Faz frio – muito frio. Em algumas regiões, como nos Alpes Japoneses, chegamos a pegar -5º. Isso que, de acordo com os locais, o inverno estava sendo “ameno”, pois não é raro chegar a -10º. Nas demais regiões, a temperatura máxima ao longo do dia ficava próxima a 6º. Sem falar que venta, muito, praticamente o tempo todo, derrubando a sensação térmica.

preparativos de viagem ao japão

Paisagem branquinha de neve, em Takayama.

Se foi ruim? De maneira alguma! As paisagens branquinhas de neve da região dos alpes estão entre as melhores coisas que vivemos durante essa viagem, inesquecíveis. Ok, não há flores coloridas ou árvores avermelhadas. Mas há uma infinidade de templos, museus, ruas cheias de letreiros coloridos, comidas diferentes… enfim, atrações das mais variadas. Claro que deve ser fantástico visitar o Japão durante a primavera ou o outono. Eu vejo as publicações de quem foi nessas estações e fico babando. Mas quem, como nós, só tem a disponibilidade de ir durante o inverno, não deve deixar de ir.

 

Chegando no Japão

Obviamente não há voos direto do Brasil para lá. Aliás, ainda bem, já pensaram quanto tempo ficaríamos dentro do avião?

As rotas mais comuns são pela América do Norte, pela Europa ou pelo Oriente Médio. A meu ver, é o tipo de viagem que pede um stopover – na ida, ou na volta, ou, por que não, em ambos. A não ser que o tempo seja muito limitado. Também não tem sentido atravessar o mundo para ficar no Japão alguns poucos dias.

Nós fomos pela Europa, mais especificamente por Paris. Tiramos uns dias para conhecer a capital da França na volta do Japão e, assim, fizemos duas viagens em uma. Sem contar que o fuso horário intermediário entre Brasil e Japão ajuda o organismo a ir se readaptando aos poucos.

 

Para ajudar no planejamento

Além dos links que já coloquei ao longo do texto, indico em especial mais dois sites. O mais rico em conteúdo para ajudar no planejamento da viagem ao Japão é, sem dúvidas, o Japan Guide (em inglês). Tem tu-di-nho lá.

Em português, gostei bastante do Japão em Foco, mais para aprender sobre a cultura japonesa do que propriamente para organizar a viagem. Saber mais sobre como as coisas funcionam e como são os hábitos do povo de um país sempre torna a experiência de viagem melhor. Além de ser uma demonstração de respeito pela cultura do país visitado.

 


Enfim, é claro que essa lista não esgota tudo que é necessário, mas são itens bem importantes dos preparativos de viagem ao Japão. Espero que ajude!

 


Queres acrescentar algo importante na relação de preparativos de uma viagem ao Japão? Tens alguma dúvida? Deixa um comentário! 😉

Boas viagens a todos!