Data da viagem: 26/11/2018

 

Kotor é uma das cidades mais procuradas pelos turistas em Montenegro. Costuma ser parada comum entre os navios de cruzeiro que operam rotas pela região do Mar Adriático. Muitas pessoas também visitam essa cidade em bate-voltas a partir de países vizinhos, em especial da Croácia.

Nós estivemos lá durante uma parada de cruzeiro. As poucas horas que ficamos me deixaram com muita vontade de voltar e passar algum(as) noite(s) na cidade, pois adoro a calma e o clima dessas cidades pequenas. Principalmente à noite, quando os turistas dos cruzeiros e dos bate-voltas foram embora. Mas a questão é que tínhamos poucas horas para aproveitar e deixo aqui a sugestão do que fazer para quem está na mesma situação.

 

A cidade

Kotor está à beira da baía de mesmo nome, a Baía de Kotor (ou ainda, Baía de Cátaro). Trata-se de uma baía relativamente estreita, toda circundada por montanhas bem altas, e por esse motivo frequentemente o local é chamado de fiorde.

A paisagem que temos conforme o navio vai avançando baía adentro é deslumbrante, vamos nos sentindo minúsculos. Recomendo não perder os momentos em que o navio está entrando e saindo da baía (do mar aberto até as margens da cidade dá aproximadamente uma hora).

O navio ficou ancorado no meio da baía e barcos menores nos levaram ao porto. No desembarque, muitos taxistas e agentes de turismo oferecendo excursões pela região. O preço comumente cobrado era 50 euros por pessoa. Nós preferimos aproveitar o local por conta própria e não nos arrependemos.

Porto de Kotor.

Chegada no Porto de Kotor.

Pequeninhos, já dá para ver a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (no meio da montanha) e o Forte São João (no alto).

Cidade Murada (Old Town)

Saindo do porto, é só caminhar uns metros e atravessar a rua para chegar ao portão principal da cidade murada, o Sea Gate. Ainda do lado de fora, à esquerda do portão há um quiosque de informações turísticas e aproveitamos para pegar um mapa com as atrações da cidade.

Portão principal da cidade murada de Kotor.

Sea Gate.

 

Ao entrar, já estamos na Praça de Armas, a maior dentro da cidade murada, e de frente para a Torre do Relógio. Seguimos andando aleatoriamente pelas ruas estreitas e com pavimento de pedras.

Praça de Armas.

 

A Cidade Murada foi construída entre os séculos XII e XIV e por isso seguiu o modelo de urbanização típico da idade média, o qual se mantém até hoje. Está tão bem preservada que consta na lista de Patrimônio da Humanidade da UNESCO.

Pelas ruas lindinhas da cidade. Repara no chão, que beleza!

 

Intercaladas com as ruas estreitas, encontramos algumas praças, algumas delas com igrejas. A primeira com que nos deparamos foi a Igreja Ortodoxa de São Nicolas. Seu interior tem algumas pinturas bem bonitas, vale a pena entrar por alguns minutos para ver (a entrada é grátis).

Igreja Ortodoxa de São Nicolas.

 

Seguimos em direção ao Portão Norte, ou River Gate. Passamos em frente à Igreja de Santa Maria Colegiada, que estava fechada. Atenção para o belo portão em bronze dessa igreja.

Portão da Igreja de Santa Maria Colegiada.

 

Saímos pelo Portão Norte e de lá admiramos o visual do rio Scurda, de águas verdinhas. As montanhas como pano de fundo complementam o cenário.

Rio Scurda.

 

Retornamos para dentro da Cidade Murada e encontrei um dos inícios da trilha que segue montanha acima até a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e o Forte São João, mas falarei com mais detalhes sobre essa trilha a seguir. Quando retornei da trilha, (e após almoçar) segui na direção sul da cidade antiga até chegar na Catedral de São Trifão. A entrada para a catedral, incluindo o seu museu, custa €2,50. Eu estava tão deslumbrada com a paisagem natural da região, ainda mais após ter feito a trilha até o forte no alto da montanha, que preferi não fazer mais nada que fosse em um ambiente fechado.

Catedral de São Trifão.

 

Fiquei mais um tempo perambulando pelas ruas da cidade, até sair pelo portão sul (ou Gurdic Gate). Aproveitei meus últimos momentos antes do horário de partida do navio dando uma caminhada sem pressa pela beira da baía. Eu não conseguia parar de olhar para o mar verde contrastando com as enormes montanhas e ficar repetindo para mim mesma “uau, que lugar lindo”.

Há muitos gatinhos soltos pela cidade. 🙂

 

Trilha para a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e o Forte São João

Esse é sem dúvida o melhor programa a se fazer em Kotor, mas ao mesmo tempo, é uma atividade que requer um certo grau de condicionamento físico. O trajeto é íngreme e pedregoso. Cada um deve avaliar se tem condições de fazer parte da trilha ou toda ela. Eu estava com meus pais e eles não tinham como fazer nem mesmo parte dela, então fui sozinha. Eles seguiram passeando pela cidade.

Ah, não custa dizer: vá com roupas e (principalmente) calçados apropriados, e leve água.

A entrada custa atualmente €8 por pessoa. Foi engraçado que, nesse dia, o movimento estava tão fraco em função da época e do dia chuvoso que fazia, que o bilheteiro disse “não precisa pagar, hoje tem pouca gente” 🙂 . Quando desci, o clima tinha melhorado, mais pessoas estavam entrando e a cobrança de ingresso estava normal.

Existem dois pontos de partida: um logo atrás da Igreja de Santa Maria Colegiada, que foi por onde fui, e o outro na Praça (Pjaca) Od Salate.

Entrada norte da trilha.

 

A trilha segue montanha acima por 1350 degraus e a uma altura que atinge aproximadamente 280 metros em relação ao mar. É inevitável parar para admirar a paisagem e para tirar fotos praticamente a cada curva da trilha. Quanto mais subimos, mais lindo fica, e o “embasbacamento” é crescente.

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

A aproximadamente um terço da subida, fica a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

Os bichos tomando conta da Igreja Nossa Senhora dos Remédios. 😀

 

Para quem não quiser ou não puder fazer a trilha toda, a subida até a igreja ou mais alguns lances de degraus acima dela já garante uma vista arrasadora e recompensadora. Até essa parte levei algo entre 20-25 minutos.

Baía de Kotor e a Igreja Nossa Senhora dos Remédios.

 

Quis subir até o forte e segui a caminhada estrada acima. A chuvinha seguia insistente, mas teve o lado bom. Além de eu não ter pago a entrada 😛 , havia pouquíssimas pessoas subindo e descendo. O silêncio e a paz eram indescritíveis.

A escada tinhosa e a vista que compensa tudo.

Lá embaixo, a Igreja São Nicolas e o Portão Principal.

 

Quase na chegada ao forte, uma pegadinha. Logo após este portão aí abaixo, o caminho se divide em três: duas escadarias e um caminho reto à direita. Subi na primeira escada (bem à esquerda), e não tinha saída. Voltei e subi na segunda. Idem. É, o caminho para o forte é o da direita. Fica a dica. 😀 Tirando esse trechinho, todo o resto segue um caminho único e é muito tranquilo de fazer por conta própria, sem necessidade de guia.

 

 

Forte São João

Uma hora e pouco de subida e cheguei ao topo. Hoje em dia restam somente as ruínas do forte, mas, ainda assim, o lugar tem seu charme. E a vista… não dá nem pra descrever, de tão lindo. Isso que o clima estava feio.

Ruínas do forte.

Baía de Kotor vista do Forte São João.

 

 

Entre subir, descer e fazer paradas para curtir, levei pouco mais de duas horas. A chuva deixou as pedras do caminho um pouco escorregadias, portanto daria para fazer em menos tempo. Se és uma pessoa pouco ativa ou costumas demorar mais nas trilhas do que a média das pessoas, talvez seja interessante começar o dia fazendo a subida e deixar para explorar a cidade no tempo que sobrar (e acho que seria bom levar também um lanche para a trilha). E ressalto: essa trilha foi a melhor coisa que fiz em Kotor. Valeu a pena subir cada um dos 1350 degraus e eu faria de novo sem sombra de dúvidas.

Tendo tempo e disposição, dá para dar mais uma esticada na caminhada. Quase na chegada ao forte tem uma portinha na muralha que dá em uma trilha secundária, levando até a pequena Igreja São João, na parte de trás da montanha. Essa eu me contentei em ver lá de cima. 😉

Igreja São João e uma casinha perdida na parte de trás da montanha…

 

Mapa

 

 

Marquei os pontos no mapa mais a título de ilustração, porque é uma delícia caminhar sem rumo pelas ruelas da cidade antiga. É pequeno, não tem como se perder e inevitavelmente a gente acaba chegando nos lugares interessantes.

Para mais sugestões do que fazer em Kotor, recomendo este guia (em inglês) do site Toms Port Guides, bem legal.


Durante esse cruzeiro, visitei também as cidades de Dubrovnik, Santorini e Katakolon.


Tens algo a acrescentar sobre Kotor? Ficaste com alguma dúvida? Deixa um comentário! 😉

Boas viagens a todos!