08/08/2017

O deslocamento de Viena para Cesky Krumlov com transporte público tomava muitas horas, então preferi um transfer. Das empresas que fazem esse serviço, optei pela CK Shuttle, que tinha menor preço e melhor horário (https://www.ckshuttle.cz/transports/transfer-from-vienna-to-cesky-krumlov). Eles foram bem ágeis em responder meus e-mails e em uma tarde a reserva estava feita (paguei metade do valor com cartão de crédito no momento da reserva e o restante em dinheiro no momento do transfer).

A saída foi da frente do Hotel Mercure em Viena, praticamente no horário combinado. Um furgão espaçoso e confortável. Os demais passageiros eram casais ou famílias, como eu era a única pessoa sozinha o motorista foi bem gentil e perguntou se eu queria ir na frente. Viajei com mais espaço e com melhor vista.

A paisagem na estrada é sensacional. Muito verde, alguns vilarejos e uma ou outra cidade maiorzinha, mas todas bem charmosas. A viagem durou três horas e meia, mas o cenário era tão agradável que não chegou a ser entediante. Achei interessante também que passamos por diversas pessoas de bicicleta na estrada, com mochilões e bagageiros carregados, conhecendo o interior do país com esse meio de transporte.

Ao chegar ao centro histórico de Cesky Krumlov, me senti como se estivesse entrando em um conto de fadas. Essa expressão pode ser o maior clichê, mas é a que melhor descreve a cidade.

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Praça principal do centro histórico.

Me hospedei no Travel Hostel, a uma quadra da praça central. Ainda não estava no horário do check-in, então deixei minha bagagem lá e saí para explorar. Na praça, passei em um caixa eletrônico para sacar coroas tchecas e entrei no centro de informação ao turista para pegar os horários e preços das atrações. Vi que havia opções de free walking tours, mas preferi não me prender a um passeio.

Eu não sabia para onde olhar, tudo é lindo demais. Saí caminhando meio “embriagada”, sem me importar para onde eu estava indo, pois por onde eu passava eu me encantava com as ruazinhas de pedra e as casas bonitinhas com sacadas cheias de flores.

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Depois de andar aleatoriamente até a entrada do centro, resolvi voltar e ir conhecendo alguns pontos de interesse da cidade. Entrei rapidamente na igreja de São Vito e depois fui ao mirante ao lado do Museu Regional.

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Vista do mirante ao lado do Museu Regional.

Segui descendo até a ponte que cruza em direção ao castelo. A quantidade de gente nessa região era enorme. Atravessei a ponte e fui subindo.

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Chegando na ponte. Lá em cima, a torre do Castelo.

O castelo tem um fosso onde vivem, geralmente, alguns ursos, porém atualmente há somente uma fêmea. Esse animal é símbolo da família de nobres que viveu ali, e eles seguem mantendo essa tradição. Quando cheguei a bichona estava lá, tomando sol e comendo uns vegetais. Coisa mais bonitinha, mas fiquei com muita pena do animal viver ali, confinado.

Existem algumas opções para conhecer o interior do castelo, cuja construção teve início no século XIII 😮 . Meu interesse era visitar a torre, mas acabei comprando o ingresso combinado com o museu, que custava pouca coisa a mais.

Comecei a visita pelo museu. A visita foi rápida: documentos, bandeiras com brasões das famílias reais, objetos usados pelos habitantes do castelo, algumas armas e armaduras e até o esqueleto de um santo local, todo decorado com jóias.

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Depois, subi a torre. O interior da torre é bastante curioso, mas a vista… ai, a vista! Subir lá é uma das melhores coisas a se fazer na cidade. Isso que existem outros mirantes com vistas lindas em outros pontos, mas a vista a partir da torre é apaixonante.

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Após descer, cruzei o castelo, ou melhor, o complexo de construções que formam o que é chamado de castelo. Um detalhe curioso é que a pintura externa de vários prédios, não só no castelo como espalhados pela cidade, imitam blocos de pedra. Passei por vários pátios e por mais mirantes, estes abarrotados de turistas, pois estão em áreas abertas (mais um ponto para a torre, que não estava superlotada).

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Um dos pátios do Castelo, com sua pintura imitando blocos.

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Passei pelos jardins do castelo (visitação gratuita) e desci pela parte de trás do castelo, passando sob o arco que sustenta parte do complexo e chegando à beira do rio.

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Algumas empresas oferecem passeios de barco (não chega a ser um rafting, pois o rio é bem calmo). Algumas pessoas também aproveitavam o calor para se banhar ali.

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Segui por essa margem do rio até a entrada do Parque Mestsky. Atravessei outra ponte de volta ao centro, subi até a escadaria que leva à passagem sob a ponte da Rua Horní, passei sob o arco em frente ao Hotel Mlyn e cheguei novamente na ponte em frente ao castelo. Em resumo, caminhei, caminhei e caminhei, entrando nas ruas que dava vontade durante todo esse trajeto.

Passei no hostel, fiz meu check-in e larguei minhas coisas no quarto. Comprei um lanche e fui para a beira do rio, me sentei lá aproveitando a tranquilidade e a beleza do lugar.

Baterias recarregadas, fui explorar os lados onde ficam o mosteiro. Esse recém havia fechado. Fui até a cervejaria Eggenberg para ver se ainda dava tempo de fazer a visita guiada com degustação, mas a cervejaria estava passando por reformas e os tour estavam suspensos. Tudo bem, eu continuava feliz em somente perambular pelas ruas.

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Retornei à praça central. A cidade já estava beeem mais vazia, as hordas que vem de bate-volta já tinham ido embora. Acreditem, a cidade tem outra cara!

Vi que faltavam trinta minutos para o fechamento do Museu da Tortura e resolvi visitá-lo. Não foi a melhor das ideias… O museu fica no subsolo do prédio, praticamente uma masmorra, com chão de pedras todo irregular, úmido, mal-iluminado, com uma atmosfera assustadora. Os vários instrumentos de tortura estão acompanhados de cartazes explicando como, onde e em qual época eles eram usados. Fiquei pensando nos horrores cometidos com aqueles objetos e comecei a me sentir muito desconfortável com aquilo tudo. Para completar, existem algumas recriações com bonecos, como por exemplo uma mulher sendo queimada na fogueira ou homens agonizantes acorrentados. O que dá um clima ainda mais bizarro é que eles colocam um som como se fosse a própria pessoa gemendo ou gritando, é horrível. Estava só eu dentro daquele lugar, pensando que dali a pouco um daqueles bonecos seria uma pessoa de verdade disfarçada e sairia atrás de mim para me dar um susto (nesse caso, eu certamente teria um infarto hehehe). A verdade é que, depois de um tempo, eu já não estava mais desconfortável, mas sim com medo. Vazei dali. 😛

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Fui pro hostel tomar um banho e descansar um pouco. Me lembrei que tinha visto no centro de informações ao turista alguma coisa sobre um walking tour noturno, então fui olhar os panfletos na recepção do hostel. Vi que de fato havia um, começando às 21 horas. Olhei para o relógio e faltavam sete minutos! Catei dinheiro e câmera e fui, ainda bem que o hostel fica a um minuto da praça. Ainda consegui ser a primeira a chegar.

Estávamos, além do guia Bob, eu, uma alemã, um cara da Arábia Saudita e um indiano. No momento em que iniciamos o passeio, chegou mais uma moça indiana. O guia comentou que era o grupo mais incomum que ele já tinha conduzido hehe.

Na verdade, não tratava-se de um free walking tour, mas de um Free Ghost Tour (http://www.wisemanfreetour.com/ghost-tour/). A proposta é percorrer alguns pontos da cidade contando histórias sobre fantasmas, mortes misteriosas, lendas, vampiros e afins.

Uma das primeiras coisas que ele relatou foi que no local onde hoje há o Museu da Tortura, pessoas eram realmente presas e torturadas.

Passamos pelo mirante ao lado do Museu Regional, pela igreja de São Vito, sob a ponte da Rua Horní, pelo Mosteiro e finalizamos no Castelo. Em cada lugar, uma história diferente. Não lembro dos detalhes de cada uma das histórias e se eu tentasse contar aqui, não teria 0,1% da graça de estar lá ouvindo tudo, mas acreditem: é legal demais.

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No mirante ao lado do Museu Regional.

Quando estávamos em um dos pátios do castelo, na reta final do tour, começaram a passar umas pessoas com um pano branco por cima e fazendo “buuuu”, imitando fantasmas. Hahaha, foi muito tosco, mas muito divertido. Mais divertido ainda é que no final, quando passamos pelo portão, essas pessoas (já sem os panos brancos) pularam em cima do guia e deram o maior susto nele! Ele apresentou as pessoas, que eram seus amigos. 😀

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Pátio do Castelo.

Eu não tenho palavras para descrever como esse passeio foi fantástico! Ver a cidade à noite, praticamente vazia, ouvindo histórias que só um local sabe contar, e com toda uma atmosfera “fantasmagórica”, foi inesquecível.

Eu queria muito passar por dentro do complexo do castelo à noite, iluminado e vazio, e ver as luzes da cidade. Os outros participantes do tour estavam meio receosos depois de todas aquelas histórias, pois tudo estava deserto hahaha, e somente eu e a indiana fomos. Lindo, lindo, lindo! E realmente, não cruzamos com ninguém.

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Descendo de volta ao centro, a colega foi para o seu hotel que ficava para o outro lado e eu, já faminta, pensei “agora eu vou é comer bem!”. Fiquei chocada ao ver tudo fechado! Os restaurantes da praça principal fechados. O hostel onde eu estava tem um restaurante no térreo…fechado! Caramba, já estava achando que ia dormir com fome. Me lembrei que tinha visto vários restaurantes para o outro lado do centro. Passei por uns dois bares que vendiam somente bebidas, mas consegui encontrar o restaurante U Bejka aberto. Comi uma carne com molho bem gordurento e umas panquecas de batata (estava muito bom!), com uma caneca de ceva – uma comida com toda a cara de taverna, para finalizar esse dia que foi como se eu tivesse passado na Idade Média.

Voltei para o hostel pelas ruas completamente desertas, sem me sentir insegura nem com humanos nem com fantasmas haha.

 


09/08/2017

Acordei bem cedinho para sair e ver a cidade de dia antes que as multidões dos bate-voltas chegassem. Mas estava chovendo, pena. Fiquei mais um pouquinho na cama e tomei o café da manhã do hostel com toda a tranquilidade.

Felizmente, a chuva passou logo e o tempo abriu. Fiz boa parte do circuito a pé do primeiro dia, mas de uma maneira um pouco mais objetiva.

Minha passagem de ônibus para Praga já tinha sido comprada pela internet para as 11 horas. Quando saí do hostel, uns 15 minutos antes, a cidade já estava fervendo de gente, e mais uma vez tive a certeza de que ter passado uma noite lá foi a melhor escolha que fiz nessa viagem pelo centro-leste europeu.

De tudo que li a respeito da cidade, não vi ninguém dizer que a achou mais ou menos: todos se encantam por ela. Eu, ao natural, já tenho o estranho hábito de me encantar e/ou me apaixonar por boa parte dos lugares que passo. Mas essa cidade ganhou um lugar bem especial no meu coração. Ela é tão linda e perfeitinha que nem parece de verdade. <3

Para quem está planejando sua viagem para lá e quer saber sobre pontos turísticos, formas de chegar e etc, recomendo fortemente o excelente Insider Praga (http://insiderpraga.com.br/cesky-krumlov-o-que-fazer-dicas/), que, como o próprio nome sugere, tem muuuita informação útil sobre Praga e arredores. Duas coisas que ele sugere e eu segui, foram perfeitas e agora reitero:

1ª durma pelo menos uma noite em Cesky Krumlov. Ver a cidade vazia, tanto de dia como à noite, é impagável.

2ª perca-se pelas ruas da cidade, sem compromisso com horários e visitas. A cidade em si é a maior atração.


Alguns gastos (coroas tchecas – CZK):

  • ingresso Museu+Torre do Castelo: 130
  • Museu da Tortura: 130
  • janta no U Bejka: 200
  • café da manhã do hostel: 100

Obs.: não cheguei a olhar as casas de câmbio pela cidade, mas vi que os estabelecimentos comerciais em geral usavam a cotação € 1 para CZK 25.

Gastos em euros:

  • transfer a partir de Viena: 32,00
  • ônibus para Praga – empresa Regiojet: 7,90

Hospedagem: Travel Hostel – €16,00 por uma diária em quarto feminino com quatro camas, mais €0,80 de imposto turístico municipal (o pagamento foi feito em coroas tchecas)

A uma quadra da praça principal do centro histórico, ou seja, dá para conhecer tudo a pé e inclusive ir e voltar ao terminal de ônibus tranquilamente. O prédio é bem antigo, então o chão de madeira é barulhento e os móveis são antigos também, mas a cama é bem confortável. Wi-fi bom, banheiro meio estranho fora do quarto (o box é grande e único para dois chuveiros). O café da manhã é pago à parte, mas a relação custo-benefício é ótima. A recepção não funciona 24 horas, então é preciso ter atenção com horários de check-in e check-out. No térreo funciona um restaurante, as opções pareciam bem apetitosas e a bons preços, mas não tive oportunidade de provar a comida de lá.