25/07/2016

Levantamos bem cedo e, após o café, partimos em direção ao Cañon del Colca. Mantendo a rotina, as paisagens eram sensacionais.

montanhas

Paisagem “comum”.

É claro que esses tours organizados por agências tem alguns penduricalhos desnecessários, as típicas atrações “pega-turista”. A primeira parada do dia foi em um povoado chamado Yanque, segundo o guia “para ver as apresentações de danças típicas que acontecem todas as manhãs na praça da cidade”. Era uma meia dúzia de crianças usando vestimentas locais e fazendo uma dancinha com tanta má vontade que dava dó! Era visível que elas faziam aquilo ali por obrigação, na tentativa de ganhar algumas moedas, fiquei com pena. Além disso, algumas bancas de artesanato. Aproveitamos um pequeno mercadinho para comprar água e frutas para lanchar depois.

yanque

Dança na praça de Yanque.

Seguindo, antes de chegar ao Mirador Cruz del Cóndor, paramos em um mirante à beira da estrada para apreciar a imensidão do cânion. Eu achava que a paisagem não tinha como ficar mais bonita, mas fiquei embasbacada. O lugar é lindo demais! O Cañon del Colca é o maior do mundo, com sua profundidade chegando a 3400m 😮 ! Podemos ter uma noção da sua grandiosidade em mirantes como este.

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O Mirador Cruz del Cóndor é o ponto alto do passeio pois, como seu nome diz, é um ponto de observação dos condores. Os ônibus de turismo chegam cedo porque é pela manhã que a probabilidade de vê-los é maior. Veja bem, eu disse probabilidade. Apesar de não ter lido em nenhum blog ou site sobre alguém que tenha ido até lá e não tenha visto condores, não há nenhuma garantia. Afinal, são animais livres em seu habitat, não seguem nenhum cronograma de apresentações com hora marcada.

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Mirador Cruz del Cóndor na borda da imensidão do cânion.

As bordas do mirante estavam cheias de gente e havia muita expectativa no ar. Nenhum condor ainda tinha aparecido naquele dia. Descemos um pouco até uma área não tão cheia e arrumamos um lugarzinho para esperar. Todos com os olhos fixos no cânion, muitas pessoas com binóculos. Depois de uns dez minutos, algumas pessoas começaram a apontar e … lá vinha subindo um, vindo do fundo do cânion, bem imponente. Quase junto com esse, já apareceram mais dois! Fantástico! Fantástico!

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O primeiro condor que apareceu.

A partir daí, os bichos perderam a timidez. Dois ou três apareciam aqui, logo sumiam, mas já três ou quatro surgiam do outro lado… Em certos momentos se via uns oito voando. Uns pousaram nas pedras bem próximas às pessoas. Eles estavam mesmo a fim de se exibir naquele dia.

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Lindão!

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Um bom tempo (muito bem aproveitado) depois, iniciamos a viagem de retorno. Novamente paramos em um mirante do vale. Não tinha como se cansar daquele visual.

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Um rio de água verde lá embaixo, muitos terraços agrícolas e, lá no alto das montanhas, neve! Surreal!

Em seguida, mais uma parada em um povoado, Maca. A praça estava mais animada, diversas bancas de artesanato e de bebidinhas e comidinhas. Nosso guia nos recomendou experimentar o “colca sour”, uma versão do pisco sour porém feito com sacantayo (fruta que dá nos cactos). Eu não estava pretendendo beber, mas quando vejo aparece o Rodrigo com um copo na mão ahah. Era bom! Aproveitamos e comemos também uma tuna, bem gostosa.

Voltamos a Chivay para almoçar antes de voltar para Arequipa. Um buffet de comidas típicas, estava bom. Conversamos com um casal de indianos (que atualmente mora no Canadá) que estava no nosso grupo. Comentamos o quanto estávamos impressionados com a grandeza do cânion, e o cara disse “Então vocês tem que ir para o Himalaia! Lá SIM é grande!”. Caraca, fiquei só imaginando. Eles estavam passando quinze dias no Peru, a mulher comentou que não aguentava mais comer frango 😀 . Realmente, todas as refeições em todos os lugares tinham frango, provavelmente por ser uma carne barata para eles.

O trajeto de volta foi meio cansativo, especialmente a parte próxima à cidade, onde já tem muito trânsito e muita tranqueira. Chegamos mais ou menos às 18h de volta ao Casa de Sillar. Na mesma hora o Juan Carlos já nos arranjou toalhas e nos deixou à vontade para usar os chuveiros do banheiro compartilhado.

Demos mais uma volta no centro histórico de Arequipa. É um lugar muito fofo, a iluminação da Catedral deixa o cenário muito bonitinho, e o clima é muito agradável. Fizemos um lanche e voltamos para o hostel para pegar as bagagens. Chamamos um táxi que nos levou até a rodoviária.

Compramos com uns dois meses de antecedência as passagens para Cusco pela empresa Cruz del Sur http://www.cruzdelsur.com.pe/. Tínhamos lido muitas boas avaliações sobre essa empresa. A vantagem de comprar antes é que pegamos um dos assentos pela metade do preço.

O embarque é um pouco diferente: temos que despachar a mala em um balcão, passar por um detector de metais e aguardar em uma sala de espera. Tivemos inclusive que pagar uma taxa de embarque da rodoviária.

Tudo o que havíamos lido de positivo antes da viagem, comprovamos. Os assentos são muito confortáveis, espaçosos e reclinam 160º. Telas individuais com opções de filmes. Eles emprestam cobertor e travesseiro. E ainda tem uma “rodomoça” que serve a janta e bebidas. Nunca imaginei que poderia dormir tão bem em uma viagem de ônibus!

Alguns gastos (soles):

  • Colca sour: 6
  • Almoço para dois em Chivay: 60
  • Táxi do Casa de Sillar até a rodoviária: 10
  • Taxa de embarque da rodoviária: 3