11/08/2017

Amanheceu chovendo, e não era pouco. Peguei um tram até a Sinagoga Pinkas para conhecer a região do Josefov (Bairro Judeu).

A fila para compra de ingresso estava grande, um funcionário falou para algumas pessoas adquirirem a entrada no Centro de Informações, a meia quadra dali. Comprei meu ingresso sem espera, retornei e entrei direto na Sinagoga.

Adquiri o tíquete Jewish Town, que dá direito a entrar em diversas sinagogas e algumas outras atrações. Tipos de ingressos e valores podem ser consultados aqui: https://www.jewishmuseum.cz/en/info/visit/admission/.

O andar térreo da Sinagoga Pinkas tem suas paredes preenchidas com milhares de nomes de judeus mortos pelo regime nazista. No andar superior, uma exposição de desenhos feitos por crianças que estavam no campo de concentração de Terezín. Bastante tocante.

sinagoga pinkas

Mas impressionante mesmo é o cemitério junto a essa sinagoga. Ali existem cerca de 12000 lápides, pois, pela falta de espaço, os corpos eram enterrados uns em cima dos outros.

cemitério judeu praga 01

cemitério judeu praga 02

Passei rapidamente pelo Ceremony Hall e pela Sinagoga Velha Nova, já que estavam inclusos no ingresso, mas não achei lá muito interessante. A função de tirar/botar a capa de chuva ao entrar/sair dos lugares também estava incômoda… Fui ainda na Sinagoga Espanhola, que tem o interior maravilhoso, essa sim valeu a visita.

sinagoga espanhola

Lindo interior da Sinagoga Espanhola.

Parei para almoçar em um lugar próximo à Old Town Square, chamado Au Gourmand. Mesmo com a capa eu estava um tanto molhada da chuva, então resolvi fazer uma refeição bem gostosa para confortar pelo menos o estômago hehe, e dar um tempo para ver se a chuva passava. Comi um goulash com dumplings acompanhado de um spritz, e depois uma tortinha de sobremesa com um café espresso. Delícia!

Pois a chuva não só não passou, como aumentou. Passei pela Torre de Pólvora, pela Torre Jindrisská, em frente à Sinagoga Jerusalém e andei até as proximidades da Wenceslas Square.

torre polvora

Torre de Pólvora.

torre jindrisska

Torre Jindrisská.

sinagoga jerusalem

Sinagoga Jerusalém.

Cheguei a parar por uns minutos na entrada de um prédio para me abrigar de tanta água que caía. Meus pés estavam completamente encharcados e eu já estava com frio, então peguei um tram e voltei para o hostel.

Uma ou duas horas depois, uma claridade começou a entrar pela janela do quarto… era o sol! Peguei minha mochila e parti para conhecer a Dancing House (ou Tančící dům).

vista castelo praga

Nuvens de chuva se afastando.

No caminho, aquela luminosidade do sol da tarde após uma chuvarada, dando uma cor dourada aos prédios super charmosos à beira do rio… Foi só então, depois de dois dias na cidade, que me bateu o encantamento por ela! Antes tarde do que nunca haha.

predios beira rio praga

Prédios bonitos à beira-rio, iluminados pelo sol.

dancing house

tancici dum

Dancing House.

Depois da Dancing House, fui conhecer outra das esculturas malucas do David Cerny, a “cabeça do Franz Kafka”. Formada por diversas camadas independentes que giram, é bastante curiosa! O escritor Franz Kafka nasceu e viveu em Praga, por isso a cidade está de cheia de referências a ele: esculturas, restaurantes, hospedagens etc.

cabeça franz kafka

Escultura da cabeça do Franz Kafka.

Para encerrar o final de tarde, dei uma bela caminhada sem pressa passando pela Wenceslas Square, depois pela Old Town, atravessando a Ponte Carlos, até chegar de volta ao hostel.

wenceslas square

Wenceslas Square e, ao fundo, o Museu Nacional com sua fachada sendo restaurada.

 

Alguns gastos (coroas tchecas):

  • tíquete Jewish Town: 500
  • almoço completo no Au Gourmand: 474


12/08/2017

Último dia da viagem que já durava mais de cinco semanas e aquele sentimento de “tenho mesmo que ir embora?”… Tirando a saudade do meu amor, que tinha voltado para casa duas semanas antes, o resto estava perfeito.

Resolvi fazer uma nova tentativa de um free walking tour, mesmo já tendo conhecido muitas coisas na cidade seria uma oportunidade de ouvir histórias e saber mais sobre ela. Escolhi outra empresa, a Next Prague Tours.

Caminhei até a Old Town e, no caminho, sem querer me deparei com mais uma escultura do David Cerny. Não é difícil passar despercebido por ela, pois está no alto:

homem pendurado praga

“Homem pendurado”.

O guia do FWT foi o James, que é norte-americano. Achei uma pena não ter pego um guia tcheco, acho que alguém do local sempre pode dar um toque a mais no passeio. Ainda assim, o James era bem apaixonado por Praga e conduziu o tour com bastante empolgação. Ele contou fatos e histórias de construções da Old Town Square, passamos pela Casa da Madona Negra (um edifício de estilo arquitetônico cubista e que abriga um museu da mesma corrente), e pela igreja de St. James the Greater.

Nessa igreja, há um braço mumificado pendurado na parede há cerca de 400 anos. Diz a lenda que um espertinho estava tentando roubar o dinheiro das doações feitas pelos fiéis e as jóias das estátuas, e uma santa, ou melhor, a estátua de uma santa segurou o ladrão pelo braço. Seu braço teve que ser cortado e foi exposto ali, para desestimular qualquer um que venha a ter a mesma ideia hehe. Uma pena que a igreja estava fechada quando passamos por lá.

Seguimos com o tour pelo bairro judeu. Aqui ouvimos sobre outra lenda da cidade, o Golem. Essa criatura foi criada a partir do barro do Rio Moldava por um rabino, a fim de defender o bairro judeu de ataques de anti-semitas. Durante o dia, ele vivia no sótão da Sinagoga Velha Nova, mas após um tempo, começou a fugir de controle e matar pessoas aleatoriamente, então o rabino teve que destruí-lo.

O tour terminou três horas depois, em frente ao Rudolfinum, uma sala de concertos em um belo prédio.

Voltei até a igreja St. James, pois eu estava bem curiosa para ver a mão mumificada, mas ela seguia fechada. :/

Aproveitei e almocei ali perto, na Pizzaria Giallorossa. Depois, peguei um tram e voltei ao hostel, para deixar minhas coisas arrumadas para ir embora naquela madrugada.

No fim da tarde, saí para ver a cidade se iluminando. Subi de tram até o Castelo. Foi muito bom de ver seus pátios praticamente vazios. 

pátio castelo praga

Um pátio do Castelo, só meu! 🙂

catedral são vito

Catedral de São Vito.

Fui descendo pelas ruas em direção à Ponte Carlos, atravessei e subi na Old Town Bridge Tower. As cores do anoitecer sobre o Castelo de Praga estavam incríveis!

castelo praga anoitecer

 

praga anoitecer 01

torre petryn anoitecer

Torre Petrín.

Fiquei lá um bom tempo, vendo o cenário mudar de cor. Eu não podia ter encerrado a estadia em Praga de melhor maneira! Que visual lindo!

praga anoitecer 02

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Peguei um tram para voltar ao hostel, mas antes passei em um supermercado para gastar minhas coroas tchecas restantes. Comprei algumas barras de Lindt que trouxe para casa e guardei só o dinheiro para o táxi.

 

Alguns gastos (coroas tchecas):

  • almoço Pizzaria Giallorosso: 228
  • tíquete tram: 24
  • ingresso Old Town Bridge Tower: 100


13/08/2017

Às 3:30 da manhã, o táxi que o próprio hostel tinha providenciado para mim estava me esperando. Ao agendar, informaram que o valor seria de 421 coroas tchecas, mas chegando no aeroporto o taxista cobrou 484. Ainda bem que eu tinha umas moedas a mais e dei todas para ele, de gorjeta.

O voo de Praga até Lisboa sobrevoou um bom tempo os alpes, uma paisagem linda, linda. Passamos bem por cima da cidade de Genebra, uau! De Lisboa a Porto Alegre, ninguém sentou ao meu lado e pude me atirar nos bancos. 🙂

O Rodrigo me buscou no aeroporto, que saudade que eu estava! Gostaria muito que ele tivesse compartilhado esta viagem comigo, mas por outro lado foi bom demais ter passado essas duas semanas sozinha. Viajar só é algo que todo mundo deveria fazer pelo menos uma vez na vida: nos ensina a apreciar nossa própria companhia!