Preciso começar confessando que Porto Rico entrou meio sem querer no nosso roteiro. O maior objetivo dessas férias era fazer um cruzeiro pelo Caribe, e escolhemos um cujo itinerário começava e terminava em San Juan. Pensamos “bom, vamos aproveitar e passar uns dias por lá conhecendo um pouco”. Só que quanto mais pesquisávamos para organizar a viagem, mais lugares interessantes apareciam.

O roteiro que inicialmente seria de uns 4 ou 5 dias, acabou ficando em 9 dias inteirinhos – e ficamos longe de esgotar os atrativos! O apelido de Isla del Encanto não é à toa! Praias paradisíacas, cachoeiras, natureza exuberante, formações rochosas, cavernas, lagoas bioluminescentes, construções históricas… Tudo isso complementado por um dos povos mais simpáticos que já conheci, e uma gastronomia que só de lembrar me dá água na boca!

Esse território nunca fez parte da minha (extensa) lista de lugares a conhecer. Mas depois de ter passado esses dias lá, afirmo: se estás planejando viagem para lá, vais adorar. E se, como eu, nunca havias pensado em conhecer Porto Rico, quem sabe agora passes a ver de outra maneira.

Flamenco Beach, em Culebra.

Informações rápidas

Capital: San Juan
Idiomas oficiais: espanhol e inglês
Moeda: dólar americano (USD)
Necessidade de visto: sim, norte-americano
Fuso horário: UTC -4 (duas horas a menos que o horário de Brasília)
População e território: aproximadamente 3.300.000 de pessoas em 9.000 km² (180 km de comprimento por 65 km de largura)
Voltagem e plug de tomada: 120V, tomada padrão “tipo B” (dois pinos chatos e um redondo)

Crash Boat Beach, em Aguadilla.

Porto Rico

Oficialmente chamado de Estado Libre Asociado de Puerto Rico, Porto Rico é um território não incorporado dos Estados Unidos (assim como outras localidades como, por exemplo, as Ilhas Virgens Americanas). Em outras palavras, pertence aos Estados Unidos, apesar de não formar parte dele. Eu sei, é confuso.

Na prática, quem nasce lá é cidadão norte-americano. Porém, algumas peculiaridades se aplicam, como por exemplo, a ausência de direito a voto na escolha do Presidente da República.

Para nós, turistas, a principal implicação é que precisamos do visto norte-americano para visitar este território.

Old San Juan.

Um pouquinho da história de Porto Rico

Porto Rico foi colonizado por espanhóis desde 1493, que mantiveram seu domínio sobre esse estratégico ponto de chegada dos navegadores europeus às Américas por alguns séculos. 

A população original era formada por índios taínos, que foram dizimados ao longo do tempo – principalmente por doenças trazidas pelos europeus às quais eles não tinham imunidade.

Os taínos chamavam sua terra de Borikén (ou Boriquén ou Borinquén), e ainda hoje o termo boricua (ou borinqueño) é usado para denominar pessoas ou coisas locais. Funciona como um sinônimo de porto-riquenho.

Em 1898, um dos itens do tratado que pôs fim à guerra Hispano-Americana foi a transferência da autoridade colonial sobre Porto Rico, passando a pertencer aos Estados Unidos. Em 1917, os EUA concedem aos porto-riquenhos a cidadania norte-americana, com o objetivo de encorpar suas forças armadas na Primeira Guerra Mundial. Na metade do século XX, Porto Rico passou a ter direito de escolher seu próprio governador e seu poder legislativo.

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O Capitólio, sede do Poder Legislativo de Porto Rico.

Chegada e locomoção

Não há voos diretos do Brasil para Porto Rico. As opções são ir de Avianca, por Bogotá, de Copa, pelo Panamá, ou por algumas cidades americanas, sendo que a mais próxima é Miami (foi nossa opção).

Mais cidades americanas com voos diretos para San Juan são Orlando, Nova Iorque e Chicago, entre outras. Que tal passar uma semana nos parques de Orlando e combinar com mais uma semaninha na tranquilidade da natureza porto-riquenha? Ou então curtir uma semana no inverno de Nova Iorque e na sequência tirar o frio do corpo nas praias de Porto Rico? Acho uma excelente pedida!

San Juan é a principal porta de entrada de Porto Rico, mas partindo dos EUA há voos diretos também para Aguadilla, no oeste do território.

Em San Juan, é muito tranquilo usar o Uber para se locomover, mesmo de/para o aeroporto. As distâncias não são grandes e os valores não ficam altos. E evita o estresse no trânsito e na busca por vagas de estacionamento, em especial no centro histórico.

Para o restante da ilha, a melhor maneira de explorar, sem sombra de dúvidas, é alugando um carro. As estradas estão em ótimas condições e bem sinalizadas. Claro, um gps é fundamental (sinal de internet no celular para usar o Google Maps é mais do que suficiente). Recomendo alugar o carro com o chip para passar nos pedágios, muitas estradas tem cobrança e algumas vias expressas não aceitam dinheiro, somente o chip.

Observatório de Arecibo.

Espanhol ou Inglês

Apesar de atualmente ambos serem idiomas oficiais, o espanhol é muito mais falado e utilizado em sinalizações, serviços, placas de trânsito, comércio, etc.

Rio de águas límpidas na Floresta Nacional El Yunque.

Clima e fenômenos naturais

O clima é tropical, faz calor o ano inteiro e a temperatura raramente baixa de 20º.

No verão (junho a setembro), as temperaturas ficam na faixa de 25º a 31º. É também quando há a maior ocorrência de chuvas. A temperatura da água fica em cerca de 28º.

No inverno (dezembro a março), ficam entre 22º e 28º, em média. A água fica em torno de 26º. É a alta temporada por lá.

Nossa visita foi entre janeiro e fevereiro. Fazia um calor gostoso durante o dia, suficiente para aproveitar a praia e tomar banhos de mar, mas sem passar mal de calor. E à noite a temperatura caía pouco, sendo necessário ligar o ar-condicionado para dormir.

Furacões

De junho a novembro, e em especial entre agosto e outubro, é a chamada temporada de furacões no Caribe. Não significa que todos os anos acontecem furacões nessa região, e mesmo viajando para lá exatamente nessa época é pequena a chance de presenciar um, mas é bom saber dessa possibilidade antes de programar a viagem e acompanhar previsões e alertas. Esse post do Melhores Destinos sobre a temporada de furacões está muito bom e esclarecedor.

Porto Rico ainda está se recuperando do Furacão Maria, que causou mais de 3 mil mortes e muitos estragos entre setembro e outubro de 2017. 🙁

Terremotos

Porto Rico encontra-se na fronteira entre duas placas tectônicas, ou seja: está em uma área onde ocorrem terremotos.

Os mais recentes ocorreram no início de 2020, quando diversos tremores atingiram a região sudoeste da ilha, sendo o mais forte em 7 de janeiro (6,4 graus). Centenas de pessoas ficaram desabrigadas e houve muitos estragos e uma morte.

Depois de falar de furacões e terremotos, pode parecer que estou querendo desestimular alguém de ir a Porto Rico. Mas todos os anos milhares de turistas visitam esse e outros destinos sujeitos à ocorrência desses fenômenos climáticos, e passam suas férias maravilhosamente bem. Creio que os dois pontos mais importantes sejam:
-1º confere sempre o funcionamento de atrações turísticas e fica pronto para flexibilizar teu roteiro. Por exemplo, um lugar super interessante que é o sistema de Cavernas do Rio Camuy, ainda está fechado para recuperação após o Furacão Maria. Também deixamos de ir a outra região que pretendíamos conhecer, nos arredores de Cabo Rojo, por estar bem na área afetada pelos recentes tremores.
-2º fica atento às notícias, conversa com moradores locais e, antes de mais nada, vai com um bom seguro viagem (isso vale para todo e qualquer lugar do mundo 😉 ).

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Castillo San Felipe del Morro.

Sugestão de roteiro em Porto Rico

Esta foi a nossa programação durante o período que passamos em Porto Rico, e deixo como sugestão de roteiro:

Dia 0 – chegamos no aeroporto de San Juan tarde da noite e pegamos um Uber até nossa hospedagem no centro histórico.

1º dia – passeio pelo Centro Histórico de San Juan: Castillo San Felipe del Morro, Castillo San Cristóbal e visita guiada ao Capitólio (sede do Poder Legislativo de Porto Rico);

2º dia – mais passeios por Old San Juan: Paseo de La Princesa, Catedral de San Juan Bautista, Porta de San Juan, etc. A sugestão para o período da tarde é fazer a visita à Casa Bacardi, que não tivemos tempo de fazer pois já estávamos envolvidos com o embarque no cruzeiro.

3º dia – exatamente uma semana a bordo do cruzeiro depois, voltamos a San Juan. Retiramos nosso carro alugado e fomos para nossa próxima base, Luquillo, onde aproveitamos a praia por algumas horas. Mais tarde, fomos para Fajardo, onde fizemos um passeio de caiaque pela lagoa bioluminescente.

4º dia – exploramos muitas trilhas, cachoeiras e banhos de rio na sensacional Floresta Nacional El Yunque.

5º dia – bate-volta à ilha de Culebra, onde desfrutamos da paradisíaca Flamenco Beach.

6º dia – um dia bem light, aproveitando a deliciosa Playa Azul de Luquillo.

7º dia – dia de atravessar a ilha. No caminho, paramos para conhecer o Observatório de Arecibo. A sugestão para combinar com essa visita é ir a Cueva Ventana, a poucos quilômetros do observatório (tentamos fazer isso, mas as visitas à Cueva Ventana são guiadas e em horários específicos, e não conseguimos chegar a tempo :/ ). Seguimos para nossa próxima base em Aguadilla e ainda deu tempo de pegar praia em Crash Boat Beach.

8º dia – pela manhã, praia de Crash Boat. Pela tarde, Survival Beach e trilha por entre suas formações rochosas à beira-mar.

9º dia – retorno a San Juan. No caminho, paramos para passar algumas horas no balneário de Vega Baja. Em San Juan, nos hospedamos em Ocean Park, bem pertinho da praia. À noite, assistimos ao show do Ricky Martin no Coliseo de Puerto Rico (claro que demos uma sorte fenomenal de pegar este show, mas de qualquer forma sugiro conferir a programação para ver se há algo interessante).

10º dia – voo partindo de Porto Rico.

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Balneário de Vega Baja.

Atrações

Além das atrações que já mencionei acima, na sugestão de roteiro, destaco mais algumas:

  • Porto Rico tem três baías onde é possível observar organismos bioluminescentes:
    • Laguna Grande, em Fajardo (que foi a que visitamos), ótima para quem está hospedado no leste de Porto Rico ou até mesmo em San Juan,
    • LaParguera, em Lajas, no lado oeste do território, e
    • Mosquito Bay, na ilha de Vieques, que dizem ser a melhor das três.
  • além da baía bioluminescente, Vieques tem diversas belas praias e pode ser bem interessante hospedar-se por lá um ou mais dias;
  • da mesma forma, a ilha de Culebra tem mais praias interessantes além de Flamenco Beach. Passar um ou alguns dias lá pode ser uma excelente ideia;
  • a região leste, além dos locais que acabei de mencionar acima, tem o Balneário La Monserrate, em Luquillo, a praia Seven Seas, em Fajardo, e passeios de barco para as pequenas e paradisíacas ilhas Palomino e Cayo Icaco;
  • na porção sul, Porto Rico tem cidades muito bonitinhas, como Ponce (segunda maior cidade, depois de San Juan, e conhecida como “capital do sul”) ou Yauco, com seu bairro repleto de casinhas coloridas;
  • a ponta sudoeste concentra algumas paisagens naturais muito interessantes, nos arredores de Cabo Rojo, como as Salinas Cabo Rojo, farol, penhascos, Balneario Boquerón, Combate Beach e La Playuela(Playa Sucia);

Nosso roteiro foi em ritmo bem desacelerado, para aproveitar e muito as praias. Querendo, dá para concentrar as mesmas atrações em menos dias, ou então incluir outras das atrações que sugeri.

Não percam a oportunidade de conversar com os boricuas e pedir-lhes sugestões do que fazer por lá. Eles adoram um papo e ficam muito felizes e orgulhosos em indicar as belezas da sua terra!

Nos próximos posts começo a descrever melhor as principais atrações que visitamos.
Abraços e boas viagens a todos!