Este é o relato da nossa viagem de 10 dias em Porto Rico, entre janeiro e fevereiro de 2020. Está bem detalhado, cheio de impressões pessoais e com informações que podem ser úteis para quem vai viajar para lá. Além de contar algumas historinhas, coisas legais e pequenos perrengues que vivenciamos por lá.

Se queres ler algo mais objetivo com as informações para organizar a viagem e sugestão de roteiro para uma viagem a Porto Rico, recomendo ler este post.

Aliás, recomendo a leitura do post que acabei de mencionar como uma espécie de introdução de tudo que vou escrever a seguir. Dá uma lida lá e depois volta aqui, combinado?
Já leste? Ótimo, vamos ao relato.

Dia 0 (23 de janeiro de 2020) – Chegada em Porto Rico com emoção

Voamos de Miami para San Juan, aproximadamente duas horas e meia de voo.
Já passava da meia-noite quando nos liberamos do processo de desembarque e retirar bagagens. Chamei um Uber e rapidinho nosso carro chegou.
O motorista era bem conversador, mas parecia estar se esforçando para falar em inglês. A todo momento ele parecia estar escolhendo as palavras que usaria. Até então, estávamos na dúvida se os porto-riquenhos falavam mais inglês ou mais espanhol, mas ficamos constrangidos de perguntar isso (ao longo dos próximos dias, constatamos que eles falam muuuuito mais espanhol).
Bom, o motorista foi dando um monte de dicas de coisas para visitar, pratos para provar e lugares onde comer. Ele perguntou o nome da nossa hospedagem, e quando dissemos que era Fortaleza Guesthouse, ele exclamou “uau, vocês vão se hospedar na Fortaleza? Se precisar de ajuda para levar as malas para dentro eu me ofereço!”. Foi nitidamente uma brincadeira, mas na hora não entendemos o que queria dizer. Só no dia seguinte, passeando pelo Centro Histórico, descobrimos que Fortaleza é o nome da pomposa edificação que é a sede do Poder Executivo de Porto Rico. 😀
Chegando no Centro Histórico (mais conhecida como Old San Juan), onde ficava nossa hospedagem, ele começou a nos contar que aquele dia havia sido um dia de protestos. Aproximadamente um mês antes, houve um terremoto na região sul de Porto Rico, e a necessidade de suprimentos e doações para as pessoas atingidas fez com que fosse descoberto um armazém cheio de coisas que foram doadas na época do furacão María, em 2017, que os governantes estavam “guardando”! Isso somou-se a uma série de outras insatisfações e a população foi às ruas.
Na esquina da nossa hospedagem, a rua estava fechada por um grupo de policiais paramentados da cabeça aos pés, com escudos e máscaras de proteção. O motorista desceu, falou com eles, e voltou explicando que não poderia passar e que teríamos que seguir a pé. Pediu mil desculpas, mas a verdade é que a caminhada era de uns 40 metros, sem problemas.
Chegamos na esquina e o policial que estava à frente sinalizou, com cara de contrariado, para passarmos. Mas sinalizei, com cara de cachorro pidão, que não queríamos ir reto, mas sim dobrar à direita. Ele abriu os braços como quem diz “vão por sua conta e risco”…
Quando dobramos, avistamos na esquina seguinte um grupo de manifestantes. Que ótimo. Estávamos literalmente no meio da confusão: em uma esquina a polícia, e na outra, os manifestantes. Foi nesse momento que começamos a sentir a ardência no nariz, na garganta e nos olhos, resquícios de gás lacrimogêneo.
Bati na porta trancada da Fortaleza Guesthouse, que fica em um dos casarões antigos de Old San Juan. Enquanto isso, cada um usava sua camiseta para tapar boca e nariz. Bati de novo, já pensando “pelamor aparece alguém”, quando abriram a porta. Ufa!
Espiamos mais um pouco a movimentação pela sacada da guesthouse, que dava para a rua. Os policiais foram usando megafones, “pedindo” aos manifestantes que se dispersassem e desocupassem as ruas, e não chegamos a ver nada mais sério.
Após toda a emoção da chegada em Porto Rico, fomos dormir com fome, pois sair para comer não era uma opção!

Dia 1 (24 de janeiro de 2020) – Old San Juan

A primeira coisa ao acordar foi dar uma espiada pela sacada e averiguar a situação na rua. Aparentemente tudo normal, comércio aberto, pessoas circulando. Ótimo. Saímos para a rua.

Old San Juan vista da sacada da Fortaleza Guesthouse.

O deslumbramento com a beleza das casas coloniais coloridas de Old San Juan era de vez em quando interrompido pela visão de alguma vitrine apedrejada ou alguma pichação de go home – sempre em lojas de redes norte-americanas, como por exemplo Subway.

Andamos aleatoriamente por diversas ruazinhas bonitinhas, compramos alimentos em um mercadinho e tomamos nosso café da manhã na Plaza de Armas da cidade.

Partimos para a primeira visita oficial em San Juan, que não podia ser outra: Castillo San Felipe Del Morro, também conhecido como El Morro.

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Castillo San Felipe Del Morro, ou “El Morro”.

A fortificação teve sua construção iniciada pelos espanhóis em 1539, passando por diversos aumentos e reparos ao longo dos séculos. Foi de fundamental importância na defesa de Porto Rico e na manutenção do domínio espanhol sobre a ilha, por sua posição estratégica na entrada da Baía de San Juan.

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Entrada do El Morro.

Em 1898, quando Porto Rico passou a pertencer aos Estados Unidos, o forte passou a ser usado como base militar pelo exército americano, o que durou até meados dos anos 1960.

Um dos pátios internos do El Morro, e a entrada da baía de San Juan.

O local é grande, e, querendo, caminha-se bastante (com bastante sobe e desce de rampas e escadas). Alguns ambientes tem variados painéis contando a história do forte, de San Juan e de Porto Rico. Levamos cerca de uma hora e meia na visita, e curtimos um monte. Sugiro reservar de uma a duas horas para o local, dependendo do teu interesse.

O ingresso para o El Morro é válido para entrar também no outro forte da cidade, o Castillo San Cristóbal.
Mas antes, no caminho, paramos para tomar um cafezinho. Passamos por diversos bares mais arrumados (e com jeitinho de pega-turista), com a galera já mandando ver nas piñas coladas e mojitos. Até que encontramos a Cafetería Mallorca, um lugar simples porém lotado de gente. Tomamos um cafezinho porto-riquenho delicioso, acompanhado de um dos muitos doces expostos na vitrine.

Seguimos para o Castillo San Cristóbal. Diferente do El Morro, que tinha função de guardar a entrada da baía, San Cristóbal foi construído com o propósito de defender a cidade de ataques por terra – apesar de também estar à beira-mar.
Seus túneis subterrâneos provavelmente sejam a característica mais interessante de conhecer após explorar El Morro. Mais alguns painéis explicativos e alguns objetos de época expostos, complementando o que já havíamos lido e visto no outro forte. Aproximadamente uma hora de visita por aqui foi suficiente e bem interessante para entender ainda melhor a história local.

Castillo San Cristóbal: um de seus túneis e o pátio interno.

Caminhamos em direção ao Capitólio de Porto Rico, sede do Poder Legislativo. Vimos algumas pessoas aproveitando a praia ali em frente, em um clima que alternava períodos de sol com rápidos chuvisqueiros. Ficamos com invejinha 😛 , mas teríamos bastante tempo para aproveitar praia nos dias seguintes.
Ficamos rondando e fotografando o Capitólio todo fechado, nos perguntando se existia alguma possibilidade de conhecê-lo por dentro. Então, um vigilante se aproximou de nós e pensamos que ele ia nos correr dali 😀 , mas ele nos disse que podíamos visitar se quiséssemos, e nos explicou por onde entrar.
Só então entendemos que tudo estava fechado em virtude dos protestos do dia anterior, mas eles estavam tentando manter o funcionamento e as visitas dentro de uma certa “normalidade”, utilizando uma portinha lateral para os acessos em vez da entrada principal que, por segurança, neste dia estava fechada.
Logo apareceu o funcionário que conduziu nossa visita guiada – e gratuita! Nos levou por diversos ambientes muito bonitos do Capitólio, nos explicou o funcionamento “da casa”, nos contou da história de Porto Rico e explicou um pouco da relação de dependência x autonomia com os Estados Unidos. Contou sobre os taínos (o povo pré-chegada dos espanhóis), sobre o período de colonização, sobre os hábitos e gostos da população atualmente. Enfim, claro que tudo foi de maneira bem resumida, pois a visita durou uns 45 minutos, mas foi mui-to-le-gal! Aproveitamos a sorte que tivemos de ter um guia só para nós dois e fizemos muitas perguntas, e ele foi muito paciente e amável em responder a todas. Foi daquelas pequenas surpresas que as viagens nos reservam, chegamos lá sem nem saber se existiam visitas e no fim das contas foi um belo e enriquecedor programa! Recomendo.

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O belo interior do Capitólio de Porto Rico.

Antes de voltar para a hospedagem para descansar um pouco, fizemos um lanche numa rede de fast-food norte-americana chamada Wendy’s, bem na Plaza de Armas. Hambúrguer, nuggets, batata-frita, refrigerante e até sorvete, para duas pessoas, por seis dólares – bem barato, comparando com outros lugares dos arredores. Querendo gastar pouco com alimentação, esse é o lugar.

À noite, fomos jantar em um dos restaurantes recomendados pelo motorista do Uber, o Raíces.
Eu estava louca para provar um dos meus drinks preferidos na terra que afirma ter inventado essa bebida: a piña colada. Mais que isso, a piña colada é chamada de “a bebida oficial de Porto Rico”.
Bom… foi a melhor piña colada que tomei na vida! Cremosa, consistente, quase como um frapê. E o sabor… salivo só de lembrar! As piñas coladas que tomamos em Porto Rico nos dias seguintes foram todas maravilhosas (e muito melhores do que qualquer uma que já tomei no Brasil), mas o do Raíces foi absurdamente deliciosa. Se não fores almoçar ou jantar por lá, dá uma passada para tomar pelo menos uma piña colada.
Mas não fomos lá só para beber, fomos para jantar. A pedida foi um prato muito popular em Porto Rico, o mofongo – um purê à base de banana-da-terra frita, temperado com sal, azeite, alho e torresmo, e com recheios variados como carne, porco, frutos do mar etc. Pedimos um de carne de boi, o outro de carne de porco. Adoramos!

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Piña colada e mofongo do Restaurante Raíces.

Leitura sugerida: Gastronomia Porto-riquenha.

Dia 2 (25 de janeiro de 2020) – mais um pouco de Old San Juan

Choveu a noite inteira como se fosse o dilúvio chegando, mas felizmente havia parado ao amanhecer. Como nossa hospedagem não incluía café da manhã, fomos comer no lugar que elegemos como nosso queridinho, a Cafetería Mallorca.
O garçom sugeriu que pedíssemos a especialidade da casa, a mallorca. É um pão adocicado, que eles passam manteiga e passam na chapa, e servem com açúcar de confeiteiro. Fiquei desconfiada pois havia opções com queijo e até com queijo e presunto, mas servido com açúcar? Estranho. O garçom disse que a gente tinha que provar, foi lá, preparou uma mallorca e nos deu de cortesia para provarmos. E não é que era uma delícia mesmo? Pão adocicado bem fofinho, com a manteiga derretida, hmmm. Pedimos mais uma para cada.

Ali quase em frente à cafeteria há um quiosque de informações turísticas, e fomos pedir sugestões do que fazer para ocupar parte do nosso dia, já que no meio da tarde íamos embarcar em um cruzeiro (uma semana de duração, pelo Caribe). Uma alternativa seria visitar a Casa Bacardi, conhecida fabricante de rum. Mas isso requeria pegar um ferry que sai de meia em meia hora, e depois ainda mais um pedaço de uber ou táxi, fazer a visita e toda essa função de novo para retornar. Achamos que seria muita correria e optamos por fazer um programa mais tranquilo no Centro Histórico mesmo, então a moça nos deu um mapa e várias sugestões legais.

Começamos caminhando pelo Paseo de la Princesa, onde tem uma feirinha de artesanato. Passamos pela Casa Estrecha e por La Fortaleza, a residência do governador de Porto Rico que o motorista do uber brincou que era onde nos hospedaríamos. Seguimos até a Catedral San Juan Bautista, a segunda catedral mais antiga das Américas.

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La Fortaleza (ao final da rua); e a Casa Estrecha.
Interior da Catedral de San Juan Bautista.

Descemos a rua em frente à catedral e chegamos na Puerta de San Juan, remanescente da muralha que circundava a cidade.

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Puerta de San Juan e parte do que resta da muralha.

Seguindo a caminhada sem pressa, fomos até o bonito prédio que abriga o Museo de las Américas. O museu se propõe a contar sobre a história e a cultura do continente americano, com ênfase em Porto Rico. Preferimos continuar ao ar livre.

Pátio interno do edifício que abriga o Museo de las Américas.

Passamos ainda pelo Museo Casa Blanca. A casa foi construída em 1500 e poucos para ser moradia de Juan Ponce de Leon, mas ele morreu antes de viver nela. Sua família e seus descendentes a ocuparam por muitos anos. Hoje, é uma casa-museu que expõe objetos dos séculos XVI e XVII. Estávamos em um misto de “quero seguir caminhando pelas ruas bonitinhas do centro histórico” com “tô com um escorpião no bolso e não quero pagar a entrada destes museus” 😀 e optamos por conhecer o museu somente pelo lado de fora e seus jardins.

Ainda passeamos pelo Cemitério Santa Maria Madalena de Pazzis, local de descanso final para muitas pessoas que foram importantes nas suas épocas e por isso as sepulturas são bastante ornamentadas.

Reservamos nosso tempo restante para almoçar com bastante calma, adivinha onde? Sim, na Cafetería Mallorca. Comidinha saborosa, lugar simples, atendimento simpático e preços honestos, como não adorar um lugar assim? Pedimos, por sugestão de outro garçom, o pastelón de amarillo, uma torta que alterna camadas de fatias de banana com carne moída. Delícia! Estávamos encantados e impressionados com o uso que eles fazem de banana em seus pratos salgados, ficam muito bons! Para acompanhar, arroz branco e habichuelas (um feijão com caldo bem parecido com o que fazemos no Brasil).

Pegamos nossa bagagem na hospedagem e chamamos um Uber que nos levou ao ponto de partida do nosso cruzeiro, o Píer Pan-Americano. Aqui cabe um parênteses para dizer que os cruzeiros que vêm de outras localidades para apenas passar o dia em San Juan ancoram no porto chamado de Terminal de Cruzeiros de San Juan. Os passageiros já desembarcam em Old San Juan e, querendo (e podendo), dá pra fazer tudo a pé 😉 . Mas não era nosso caso, San Juan era o ponto onde iniciava e terminava nosso cruzeiro e por isso saía desse outro porto.

Parênteses: De 25/01/2020 a 01/02/2020 estivemos a bordo do cruzeiro que fez paradas em Barbados, Granada, Dominica, Sint Maarten e Ilhas Virgens Americanas. Conhecemos diversos porto-riquenhos a bordo, e todos ficavam muito felizes em saber que ficaríamos dez dias conhecendo sua terra. Todos muito simpáticos, orgulhosos de suas belezas. Quando começavam a dar recomendações de lugares para conhecer por lá, se empolgavam, e tínhamos que ressaltar que eram só dez dias. 😀
Em especial, ficamos amigos de um casal que queria até que nos hospedássemos na casa deles, e se tornaram nossos companheiros durante o cruzeiro. Muito obrigada Yari e Ricardo pela parceria, pelo companheirismo e pela amizade que se criou!

Dia 3 (01 de fevereiro de 2020) – de volta a Porto Rico, hospedagem em Luquillo e baía luminescente de Fajardo

Exatamente uma semana depois, estávamos desembarcando novamente em Porto Rico (novamente no píer Pan-Americano).
Havia uma enorme oferta de táxis com preço tabelado para diversos pontos da cidade, mas os mãos-de-vaca aqui quiseram economizar uns trocados e chamaram um uber. O carro que aceitou nossa corrida só nos enrolou, ficou parado no mesmo lugar e até mandou mensagem dizendo que já tinha chegado (só que não), até que perdemos a paciência, cancelamos a corrida e pegamos um táxi.

Nos dirigimos ao bairro de Isla Verde, onde fica a Popular Auto, locadora de veículos com a qual já tínhamos uma locação reservada. O taxista era brabinho 😀 e queria saber perto de qual hotel a locadora ficava, e eu vou saber de hotel, não vou me hospedar lá, só vou retirar o carro 😀 . Na verdade o Google Maps nos levou ao local certinho, mas o motorista estava nos atucanando tanto que passamos em frente ao local e não o vimos, então tive que telefonar pra locadora para eles explicarem pro taxista como chegar lá…
Bom, a retirada do veículo foi bem tranquila e pegamos um Accent estalando de novo, estava sendo alugado pela segunda vez!

Duas observações sobre o aluguel de carro por lá:
1º eles alugam, opcionalmente, um chip que dá livre passagem em todos os pedágios de Porto Rico. Não é tão baratinho, USD 4,95 por dia, e se for colocar na ponta do lápis sai mais barato pagar individualmente os pedágios (que costumam variar de USD0,75 a USD 1,25). Mas recomendo o uso do chip pela comodidade, pois várias praças de pedágio só aceitam dinheiro trocado e algumas vias só permitem o tráfego para veículos com o chip (não há cabines para efetuar pagamento);
2º eles embutem um seguro de danos a terceiros de USD 7,95 por dia, disseram que era obrigatório por lei ter esse seguro e que ele não está incluído no seguro que o cartão de crédito cobre. Sou resistente a alugar carro no exterior por isso, sempre tenho a sensação que eles estão fazendo algo pra te tirar algum dinheiro a mais, mas para explorar outras localidades de Porto Rico além de San Juan o carro é necessário.

Rodamos cerca de uma hora até Luquillo, nossa base pelos quatro dias seguintes. A cidade tem um simpático ar de balneário, poucos edifícios e muitas casas, e uma praia bem gostosa.
Ficamos em um ótimo apartamento pelo Airbnb, a uma quadra da praia. Após deixar nossas coisas no apê, fomos a um supermercado bem próximo – o “Amigo” – para abastecer nossa geladeira.
À tarde, curtimos a Playa Azul, aquela a uma quadra do “nosso” apê. Poucas pessoas e muita tranquilidade. O mar não é dos mais calminhos, mas nada que impeça o banho, e a água estava ótima.

A “nossa” praia em Luquillo: Playa Azul.

Final de tarde dirigimos até Fajardo para participar de um dos passeios de caiaque à chamada BioBay, ou Baía Luminescente.
Basicamente, a Laguna Grande em Fajardo é um dos três pontos (o segundo melhor) para ver organismos bioluminescentes em Porto Rico. Várias empresas fazem passeios de caiaque na laguna ao anoitecer para ver o fenômeno da bioluminescência.
Não reservamos com antecedência e quase ficamos sem conseguir vagas, mas tivemos sorte e deu tudo certo. O passeio foi bem legal, muito mais pela experiência de ver o anoitecer na bela paisagem da laguna e de remar pelo manguezal às escuras, do que pela observação da bioluminescência em si, que foi bem fraco. A fase da lua influencia bastante nesta observação, e neste dia a lua era crescente. O ideal para o passeio é a lua nova.

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Caiaques prontos para o início do passeio ao entardecer na Laguna Grande, em Fajardo.

Chegamos de volta ao nosso apê e o bar na esquina do prédio estava bombando, música nas alturas e o escambau. Pensamos que teríamos uma péssima noite, mas pela meia-noite tudo se encerrou, felizmente.

Dia 4 (02/02/2020) – Floresta Nacional El Yunque

Preparamos uma sacola de mantimentos (água, sanduíches e biscoitos) e partimos para passar o dia na Floresta Nacional El Yunque. Partindo de Luquillo, levamos uns 15 minutos para chegar na entrada do parque.

O nome da floresta é devido ao segundo pico mais alto do território porto riquenho, El Yunque, com 1050 metros de altura. Inclui em sua área diversas trilhas auto-guiadas, mirantes para boa parte da região leste de Porto Rico, cachoeiras, locais para banho e muita, muita vegetação. Devido aos estragos provocados pelo furacão María, que passou em 2017, algumas trilhas ainda estão atualmente fechadas e o principal centro de visitantes também. Mas o que está aberto é mais do que suficiente para preencher um dia inteiro.

Começamos parando no Riacho Juan Diego, onde há poços naturais ótimos para banho. Entramos na água primeiro no segundo poço. Depois descemos em direção à estrada e entramos também no primeiro poço, onde uma mulher aproveitava o local com seus três simpáticos cachorros. Fizemos amizade com os bichos 😀 e logo iniciamos um papo com a humana. Ela era porto-riquenha e já saiu nos dando um monte de dicas de lugares para conhecer, para comer, para beber hehehe.

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O segundo poço para banho do Riacho Juan Diego.

Seguimos e paramos no Baño Grande, que apesar do nome é um local apenas para apreciação.

Fomos então para a trilha do Mount Britton. Os locais para estacionamento dentro da floresta são bem sinalizados e limitados, a propósito, o próprio acesso à floresta tem uma limitação de número de visitantes e por isso é recomendável chegar cedo para não ficar de fora. Rodamos um pouquinho em busca de uma vaga para estacionar, mas conseguimos bem pertinho do início da trilha. Olhamos aquela torrezinha lá no alto e comentamos “será que é até lá que a gente vai subir”?

Estás vendo a torre lá no alto da montanha?

A estimativa da trilha é de 45 minutos por trecho, mas claro que depende das condições físicas de cada um. O trajeto é bem demarcado por um estreito caminho pavimentado, boa parte por dentro da vegetação fechada. Em alguns pontos temos cenários lindos, a perder de vista. Ah, e de bônus, o dia estava perfeito, com um céu azul maravilhoso.
Em pouco mais de meia hora chegamos na torre do Mount Britton. Sim, era aquela torre que a gente viu pequenininha lá de baixo. Do alto da torre, dá para ver bem direitinho San Juan, Luquillo e outras cidades do leste da ilha. Sem dúvidas foi o melhor ponto de observação que estivemos em El Yunque.
Depois de curtir bastante a paisagem e recuperar o fôlego, fizemos o retorno pela trilha. Na descida tudo é mais fácil, e levamos vinte e poucos minutos.

Começamos a retornar pela PR-191, que é a estrada que cruza a floresta. Ao longo da estrada existem alguns pontos de apoio com posto de informações, banheiros e lojinha. Paramos no de Palo Colorado para almoçar nossos sanduíches. Uma tendinha vendia bebidas, salgadinhos e balas. Compramos um refrigerante e conversamos com a vendedora, que ficou com os olhos úmidos de emoção quando dissemos que somos brasileiros. Disse que ia chegar em casa e quando sua mãe perguntasse como foi seu dia, ia contar que conheceu um casal de brasileiros que estava passando vários dias em Porto Rico. Querida!

Depois dali, paramos para conhecer a Torre Yokahú, de onde a vista também é muito bonita.

Retornamos até pegar a estrada 988 e nos dirigimos à área de banho Angelito. A trilha a partir da estrada é de uns dez minutinhos.

Muitas famílias estavam instaladas ali, com jeito de que passaram o dia: sacolas, cadeiras e caixas térmicas. E realmente o local é excelente para isso. Passamos o resto da nossa tarde ali. Que delícia de dia! Contato direto com muita natureza.

Famílias aproveitando o dia lindo em El Yunque.

Para saber mais sobre El Yunque e ter mais informações para planejar a visita, lê o post:
El Yunque, Floresta Nacional em Porto Rico.

À noite, fomos conhecer um ponto conhecido da cidade: os Kioskos de Luquillo. Trata-se de uma quadra grande que reúne muitos bares e restaurantes, e algumas lojas de souvenirs, junto à beira-mar.
Era domingo, pelas nove da noite, e o movimento estava bem caído. Mas algumas pessoas estavam com seus carros com equipamentos de som gigantescos colocando uma música ensurdecedora. Ficamos chocados com duas coisas 1º como eles conseguiam ficar perto daqueles auto-falantes naquele volume, e 2º estamos mesmo ficando velhos 😀 😛 .

Escolhemos jantar no restaurante Edelweiss. Pedimos de entrada uma porção de mini alcapurrías (alcapurrías são um tipo de salgado típico porto-riquenho), acompanhando dois mojitos: um de maracujá e um tradicional. De prato principal, dividimos um mofongo de camarão que estava delicioso, e pedimos mais um mojito, dessa vez de morango. Os mojitos estavam ótimos, mas gostei especialmente do de maracujá.

Na televisão estava passando, ao vivo, o Super Bowl. As poucas pessoas no bar vibraram (nós inclusive) quando a Jennifer Lopez surgiu ostentando uma bandeira de Porto Rico.

Dia 5 (03/02/2020) – Bate-volta à ilha de Culebra (Praia Flamenco)

Pegamos novamente nossas provisões de água+sanduíches+biscoitos e rumamos para Ceiba, de onde saem os ferrys que vão para a ilha de Culebra (e para Vieques também). Já havíamos comprado antecipadamente os bilhetes pelo site (que, aliás, funciona há poucos meses).

O ferry leva praticamente uma hora para atravessar até Culebra. No desembarque, diversos motoristas de van oferecem o que eles chamam de táxi compartilhado, e fomos diretamente para a Praia Flamenco.

É preciso pagar uma taxa de dois dólares para acessar a praia, e usar uma pulseirinha de identificação enquanto estiver por lá. Passamos por uma área onde há toda a estrutura: banheiros, chuveiros, bares e aluguel de cadeiras e guarda-sóis.

Flamenco Beach já constou em algumas listas das praias mais bonitas do mundo. Mas, os lugares que visitamos durante o cruzeiro ainda estavam muito frescos na memória, e achamos que não veríamos em Porto Rico praia tão linda como vimos por exemplo em Barbados (Browns Beach) ou Ilhas Virgens Americanas (Coki Beach). Pois, ao chegarmos na beira da praia, ficamos deslumbrados. Ela conseguiu superar nossas altas expectativas.

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Flamenco Beach.

A água calma e transparente na enseada de frente para um morro coberto de vegetação enchem os olhos. A extensão da faixa de areia permite que as pessoas se acomodem de maneira espaçada, garantindo tranquilidade. Nada de caixas de som nos ouvidos alheios!

Alugamos cadeiras e um guarda-sol, mas querendo, dá pra caminhar um pouco e achar a sombra de uma árvore.
E o resto do nosso dia se resumiu a isso: banho de sol, cerveja gelada à sombra, banho de mar, piña colada. Os preços do bar eram bem razoáveis (pelo menos das bebidas eram, não chegamos a consumir alimentos além dos que levamos).

Mar maravilhoso.

Levamos também máscara e snorkel (tem para alugar lá) e foi bem legal mergulhar nos corais. Não há uma grande diversidade de vida marinha, mas dá para ver uns peixinhos coloridos.

Fomos embora porque se aproximava o horário do ferry, mas ficamos com aquele gostinho de quero mais. Na saída da praia também há o serviço de vans, que leva de volta ao porto.

Dia 6 (04/02/2020) – dia de boas em Luquillo

Deixamos esse dia como um curinga para visitar algum lugar interessante da região ou então para simplesmente não fazer nada. Como vimos que a Playa Azul, onde ficava o nosso apartamento, era ótima, escolhemos a segunda opção: fazer nada.

Fomos para a praia pela manhã e demos uma bela caminhada pela beira-mar, uns 45 minutos, até chegar no Balneário Monserrate. Esse balneário, como a Praia Flamenco, também tem acesso pago, com toda a estrutura de estacionamento, quiosques e outros serviços, e o mar era mais calmo do que na Playa Azul.

O trajeto para chegar lá caminhando estava tão bonito! E praticamente deserto, apenas cruzamos com uma ou outra pessoa também dando sua caminhada. Porto Rico não parava de nos surpreender, e mesmo nesse dia que pensamos que iria ser um dia “comum”, nos surpreendeu com a beleza desses cantinhos pouco conhecidos.

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Praia deserta deslumbrante entre a Playa Azul e o Balneário Monserrate.

Depois que chegamos da caminhada, buscamos cervejas bem geladinhas no apartamento e ficamos até o meio da tarde ali mesmo, na Playa Azul.

À noite, a última em Luquillo, fomos novamente jantar nos Kioskos. Fomos um pouco mais cedo do que no outro dia, e desta vez estava mais movimentado (e com vários dos malditos carros de som).
Paramos em um tipo de food truck especializado em mojitos (seria mais um drink truck hehe). Compramos um de coco, muito gostoso! Antes de ir a Porto Rico, achávamos que mojitos eram sempre de limão, mas descobrimos lá que eles usam várias frutas e todos ficam ótimos. Para jantar, escolhemos o restaurante Terruños. Resolvemos só petiscar algumas coisinhas como alcapurrías, queijinhos e arepas, acompanhando, é claro, mais uns mojitos.

Dia 7 (05/02/2020) – atravessando a ilha até Aguadilla, com parada no Observatório de Arecibo

De manhã partimos para atravessar a ilha da Porto Rico para montarmos base na região oeste, em Aguadilla. No meio do caminho, aproveitamos para conhecer o Observatório de Arecibo.

O radiotelescópio de Arecibo tem sua antena parabólica com 305 metros de diâmetro. Já foi o maior radiotelescópio de prato único do mundo, mas atualmente perde em tamanho para um chinês (que possui impressionantes 500 metros de diâmetro). Serviu de cenário para os filmes 007 Contra Goldeneye e Contato.

Radiotelescópio de Arecibo.

Foi construído em uma região bastante montanhosa e a estrada para chegar lá é bem sinuosa e bem bonita. Além de poder ver de pertinho o radiotelescópio, o lugar tem um pequeno museu com algumas atividades interativas – que são mais voltadas para crianças, mas a gente se divertiu um pouco com elas também 😛 .
Nossa visita durou cerca de uma hora e meia.

Atividades interativas do museu do Observatório de Arecibo.

Saindo do Observatório, a ideia era conhecer outra atração próxima dali, a Cueva Ventana. Só que o gps resolveu nos sacanear. A região do observatório, como já disse, é bem montanhosa. Ficamos sem sinal de internet e sem poder usar o Google Maps, e para quebrar o galho fiz a rota pelo Maps.me. O aplicativo fez a gente dar uma volta enorme e chegamos na portaria da Cueva Ventana exatamente às 13:30, horário que começa uma das visitas guiadas, ou seja, não dava de tempo de estacionar, comprar ingressos e subir até onde estava o grupo da visita 😕 . Não é possível conhecer o lugar por conta própria e a próxima saída era somente em duas horas… Fiquei bem frustrada, pelas fotos o lugar parece muito bonito. A estrada por onde passamos nessa enorme volta desnecessária era linda, um vale cortado por um rio, ver esse cenário do alto deve ser sensacional. Mas decidimos não ficar duas horas esperando e seguimos viagem. Quando voltou o sinal de internet simulei a rota pelo Google Maps e o caminho era bem mais curto e, indo direto, teríamos tranquilamente chegado a tempo 🙁 . Tudo bem, pequenos contratempos em viagens sempre acontecem.

Ah, sobre o sinal de internet em Porto Rico, essa foi a única vez que ficamos sem. O restante do tempo, em todas as localidades, funcionou super bem.

Chegamos em Aguadilla e nos instalamos na nossa hospedagem bem próxima a uma das praias mais conhecidas do oeste de Porto Rico: Crash Boat. Foi só o tempo de largar nossas coisas e fomos para a praia. Da hospedagem, dá uns dez minutos de caminhada, incluindo descer uma escadaria de uns 100 degraus. Mas lá embaixo, na praia, tem estacionamento, para quem quiser chegar de carro.

O céu estava bem acinzentado e parecia que ia chegar um temporal, mas mal caíram uns pingos. Passamos o resto da tarde na praia. As pessoas aproveitam bastante o píer que tem ali, brincando de saltar no mar ou fazendo snorkeling por ali. Sempre aparecia alguém para jogar pão na água, e os peixes se amontoavam às centenas.

Crash Boat Beach, em Aguadilla.

À noite, ainda não sabíamos onde, mas sabíamos o quê queríamos comer: mofongos. Rodamos pelas redondezas, olhando alguns restaurantes, mas nenhum nos atraiu. Lá pelas tantas, o Rodrigo teve a ideia de abordar uma pessoa na rua e pedir uma dica de onde comer um bom mofongo. Pois não é que deu super certo? Ela nos indicou o El Padrino’s, e lá comemos um delicioso e suculento mofongo de camarão acompanhado de mojitos de parcha (maracujá).

Dia 8 (06/02/2020) – Crash Boat e Survival Beach

O planejado quando programamos esta estadia no lado oeste de Porto Rico era conhecer a região de Cabo Rojo. Porém, algumas semanas antes da nossa viagem, houve um terremoto que atingiu principalmente a área sudoeste de Porto Rico, incluindo os arredores de Cabo Rojo, e algumas pessoas nos desaconselharam a visitar essa área neste momento.

Ficamos então com esse dia livre. Fomos de manhã para Crash Boat, o dia estava lindo e a praia ainda estava bem vazia. Fizemos snorkel entre os muitos peixinhos junto do píer, e depois ficamos só tomando banho de mar.

O píer de Crash Boat Beach.

Na nossa hospedagem havia um grupo de norte-americanos e eles nos sugeriram conhecer Survival Beach, então fomos lá à tarde.
A praia é bem selvagem e com mar forte. Na verdade, a gente chega de carro em Surfer’s Beach e aí faz a trilha por cima e pelo meio das rochas para chegar em Survival.

Nos disseram que havia essa trilha, mas não entraram em detalhes sobre sua dificuldade. A questão é que o caminho é bem pedregoso e irregular, e estávamos de chinelos. Fomos devagar e com muito cuidado, e em cerca de meia hora chegamos lá. Um calçado fechado é extremamente recomendado. O mar é bem forte e o passeio valeu mais pelas vistas do caminho entre as rochas.

Survival Beach vista da trilha entre as pedras.

Depois da trilha, ainda fomos novamente para Crash Boat curtir o restinho de tarde.

À noite, fomos até a cidade vizinha de Rincón, para dar uma passeada e talvez jantar. Começou a chuviscar, não tinha quase ninguém nas ruas, tudo meio escuro e estranho… Voltamos e comemos novamente no mesmo restaurante (El Padrino’s), o mesmo cardápio 🙂 .

Dia 9 (07/02/2020) – Retorno a San Juan e show do Ricky Martin

Já havíamos definido com antecedência que dormiríamos a última noite em San Juan, para estar mais perto do aeroporto para nosso voo do dia seguinte. Enquanto eu ainda procurava hospedagem, vi um anúncio no Airbnb que dizia ficar perto do Coliseo de Porto Rico. Fui pesquisar o que era o tal Coliseo, e vi que era um espaço para espetáculos. Pensei “hm, vou dar uma olhada na programação, vai que tem algo interessante”.
Não acreditei quando vi que o show programado justamente para a nossa última noite em Porto Rico era de um dos seus artistas mais conhecidos: Ricky Martin. Nem nos pensamentos mais otimistas durante o planejamento da viagem eu imaginei ver Ricky Martin na sua terra natal!
Mandei mensagem no whatsapp pro Rodrigo, falando do show e perguntando o que ele achava de irmos. Mas a seguir pensei comigo “uma oportunidade dessas não dá pra deixar passar”, e antes mesmo que ele respondesse alguma coisa, comprei os ingressos. 😀

Bom, voltando a relatar a viagem, saímos de manhã da nossa hospedagem em Crash Boat Beach em direção a San Juan. Assim como quando saímos de Luquillo em direção a Aguadilla, aproveitamos para parar em algum lugar no caminho para conhecer, e escolhemos o balneário de Vega Baja.

O lugar é bem bonito, de águas calmas em uma enseada bem fechadinha e protegida por pedras. Tem estacionamento (pago) no local, e uma estrutura de banheiros, duchas ao ar livre, salva-vidas e serviço de aluguel de cadeira e guarda-sol. Achei estranho que havia alguns quiosques, mas todos estavam fechados.

Uma pena que o dia não ajudou. Estava meio nublado e bem ventoso. Ficamos ali por um tempo aproveitando a praia assim mesmo.

Balneário de Vega Baja.

Depois ainda procuramos um lugar para almoçar e achamos um restaurante bem simples e simpático, a algumas quadras longe da orla. Comida bem caseira, muito bem servida, gostosa e barata. Do jeito que gostamos. 🙂

Fomos para nossa hospedagem em San Juan, na região de Ocean Park, um apezinho do Airbnb a 50 metros da praia. Largamos nossas coisas e partimos pra beira-mar, mas o clima tinha dado uma piorada. O vento estava forte e logo em seguida caiu uma pancada de chuva. Só nos restou entrar num bar de praia (bem bonito e estiloso, por sinal) e tomar umas cervejas.

A chuva passou mas o vento não diminuiu, então resolvemos sair para comprar algumas coisinhas e também paramos para fazer uma boquinha na padaria/confeitaria/lancheria Kasalta, onde comemos doces bem gostosos. Eles tem uma variedade bem grande de alimentos, tudo bem apetitoso, e uma foto na parede exibindo a ocasião em que o então presidente Barack Obama fez uma refeição lá.

Hora de ir pro show, chamamos um uber pela praticidade de não ter que buscar um estacionamento e para poder beber umas bitrucas. 😛

Na chegada ao Coliseo, a primeira coisa que chamou a atenção foi a vestimenta das pessoas. Nós estávamos de tênis, bermuda e camiseta, do mesmo jeito que vamos a shows no Brasil. Mas havia muitas pessoas super bem vestidas, mulheres de longo, brilhos e saltões, homens de camisa, calça e sapato social.

Faceiros em frente ao Coliseo de Porto Rico.

A entrada foi super tranquila e tomamos logo nossos assentos, pois a hora do show estava próxima. Muitos dos lugares estavam desocupados ainda e ficamos nos perguntando se o local ficaria vazio daquela maneira. Inocentes. O show foi começar quase uma hora e meia depois do horário previsto, e àquela altura o Coliseo estava tomado de gente.

Mesmo bem de longe – comprei os ingressos mais baratos, lá no “poleiro” – foi muito legal ver o Ricky Martin pessoalmente. Era o show de abertura de sua nova turnê, na sua terra natal, muitos anos depois de sua última apresentação por lá. Era um espetáculo com significado especial e a alegria das pessoas nos contagiou e nos deixou ainda mais felizes de estarmos presentes.

viagem porto rico
Olha o Ricky pequeninho lá no meio do palco!

Além da indumentária dos porto-riquenhos, outras duas coisas nos chamaram muito a atenção. Primeira: os assentos eram marcados e imaginamos que seria uma mera formalidade, que as pessoas passariam o show inteiro em pé e dançando enlouquecidamente. Mas não. Todos permaneceram o show inteirinho sentados. 😮
Segunda coisa: pelo menos no Brasil, conhecemos mais o Ricky Martin pelas suas músicas mais animadas e dançantes. Mas o público lá ia ao delírio mesmo quando ele cantava baladas. Muitas baladas desconhecidas pra nós, mas as pessoas ao nosso redor cantavam junto, gritavam, se escabelavam e até choravam. 😀

Enfim, foi um baita show, com vários bailarinos, coreografias, cenários diferentes e shows de luzes. Quase duas horas de espetáculo. Inesquecível, principalmente por tê-lo visto lá, na sua “casa”.

Ah, e quando o show acabou, acabou mesmo. Todos se levantaram e foram saindo, sem pedir bis. Hábitos estranhos…

Tivemos um pouco de dificuldade de conseguir um uber no meio daquele povo todo chamando aplicativo tudo ao mesmo tempo. Quando conseguimos, não fomos direto pro apê, mas descemos numa rua mais movimentada ali perto, na intenção de jantar.
Pois um monte de coisa já estava fechada. Restaurantes fechados. McDonalds fechado. E os poucos “bares” abertos tinham um aspecto de baladinhas, com filas para entrar. Mais uma vez, chocados. Mal passava de meia-noite de sexta-feira e não conseguíamos arranjar um lugar pra comer. Ainda bem que tínhamos pão, biscoitos e outras coisinhas no apê, que salvaram nossa “janta”.

Foi difícil pegar no sono com as músicas do show ainda ecoando dentro da cabeça e com a empolgação por ter tido essa oportunidade. Foi um belíssimo presente de despedida de Porto Rico!

Dia 10 (08/02/2020) – despedida de Porto Rico

Tomamos nosso café da manhã novamente no Kasalta. Recomendo, boa opção de lugar para comer na região de Ocean Park. E nos tocamos para a praia.
Escolhemos uma hospedagem coladinha na praia porque a intenção era aproveitar mais um pouco de sol e mar nesta manhã do nosso último dia em Porto Rico.
O tempo estava feinho, nublado e caindo de vez em quando uns chuviscos, além do vento forte. Várias pessoas praticavam kitesurf por ali e até o bar da praia tinha uma placa oferecendo aulas dessa modalidade. Pelo jeito, Ocean Park é uma praia com vento constante e bastante procurada pelos kitesurfistas. Nós é que escolhemos mal achando que aproveitaríamos banhos de mar e de sol por ali. Mas não dá pra reclamar, tivemos dias magníficos de tempo bom no restante de nossa estadia e aproveitamos praias maravilhosas muito bem.

viagem porto rico
Kitesurfistas em Ocean Park, San Juan.

Desistimos logo da praia e fomos embora. Antes de entregar o carro, passeamos um pouquinho pela região de Isla Verde (onde ficava a autolocadora). Andamos por algumas lojinhas, compramos uns souvenirs de última hora e pegamos um lanche no Burger King para comer mais tarde.
Isla Verde é cheia de hotéis e havia um movimento bem grande de pessoas, inclusive famílias com crianças, transitando com apetrechos de praia, porém não chegamos a passar na beira-mar para dar uma espiada.
Entregamos o carro e o shuttle da locadora nos levou ao aeroporto. Nosso voo para Orlando saiu no horário previsto, encerrando nossa passagem por Porto Rico.

Adoramos ter conhecido esse território. Paisagens lindas e diversificadas, pessoas queridas e clima agradável. Não sabíamos quase nada a respeito desse lugar antes de decidir ir para lá (e só entrou no nossa rota em função do cruzeiro), e fomos nos surpreendendo e ficando cada vez mais encantados à medida que líamos, pesquisávamos e coletávamos informações para organizar a viagem e montar o roteiro. E o que vivenciamos por lá conseguiu ser ainda melhor do que esperávamos. Se tiverem a oportunidade de ir a Porto Rico, não pensem duas vezes.


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