Basta pensar em deslocamentos pelo Japão e já vem à cabeça os trens, não é mesmo? Eles são sem dúvida o meio de transporte mais rápido, pontual e confortável no país. Mas também são caros!

O Japan Rail Pass – ou JR Pass – permite viagens de trem ilimitadas (com algumas poucas exceções) dentro do seu período de validade, e adquiri-lo pode ser bastante vantajoso. Seguem algumas informações para ajudar a analisar se ele compensa ou não.

 

Japan Railways

A JR – Japan Railways – é um grupo de empresas que opera nas linhas férreas do país. As empresas são divididas por regiões, como mostra a figura abaixo.

 

Cada região tem o(s) seu(s) passe(s). Vale a pena analisá-los se a tua viagem for se concentrar em apenas uma ou duas delas. Esse post (em inglês) do site Japan Guide mostra os diferentes tipos de passes regionais.

Mas, o passe mais interessante para quem vai passar por uma área maior e fazer diversos deslocamentos, é o Japan Rail Pass, que cobre o país todo.

 

Venda do passe

O passe, via de regra, é vendido somente a estrangeiros. A exceção é dada a japoneses que comprovem residir fora do Japão há mais de dez anos. Em qualquer caso, o passe só se será entregue à pessoa que apresentar o selo de visitante temporário que é colado no passaporte no momento da imigração.

Para adquirir o passe, é preciso encontrar um revendedor autorizado, que emitirá um voucher (exchange order). A lista dos agentes autorizados a vender o JR Pass no Brasil pode ser consultada aqui. Esse voucher deve ser trocado (lá no Japão) pelo passe definitivo em até 3 meses. Após a troca, o início do uso deve se dar em até 30 dias, mas a data inicial já deve ser informada no momento da troca do voucher pelo passe.

Eu imaginava altas tecnologias japonesas nesse processo, mas foi meio burocrático. Achei que receberia por e-mail algum código numérico ou talvez um QR code que eu fosse apresentar lá no Japão para retirar o passe, mas não. É de papel mesmo.

Chegando no Japão, devemos procurar um escritório da JR para trocar o voucher pelo passe. Mas não espera um cartão magnético ultra moderno: ele é de cartolina. Pelamor, muito cuidado para não molhá-lo, danificá-lo ou perdê-lo, pois ele não é reposto!

 

Faz pouco tempo que o passe começou a ser vendido também no Japão, pois antes a compra só podia ser feita no exterior. A possibilidade de comprá-lo já no Japão está prevista para durar até 31 de março de 2020, sendo que detalhes para vendas após essa data ainda serão anunciados. É uma alternativa para quem não se decidiu ou não teve tempo para comprar o passe com antecedência, mas é também mais caro (vê valores mais abaixo).

 

Uso do JR Pass

O JR Pass não é válido nos trens shinkansen Nozomi e Mizuho das linhas Tokaido, Sanyo e Kyushu, além de algumas outras poucas exceções em trechos bem específicos. Na prática, isso significa que a grande maioria dos trens está inclusa. E para aqueles que não estão, sempre há alternativa de outros trens e/ou outros horários que cobrem os trajetos que queremos fazer.

Com o passe é possível marcar assentos sem custo extra, mas não é imprescindível fazer a marcação. Os trens possuem vagões para assentos reservados e vagões com assentos não reservados. Não querendo fazer a reserva, é só chegar na plataforma de embarque com uns minutos de antecedência e procurar no painel quais são os vagões para non reserved seats. Nós viajamos em baixa temporada (entre janeiro e fevereiro), não reservamos assentos nenhuma vez e em nenhum trecho ficamos em pé. Além disso, os trens de curta distância não permitem marcação de assentos.

Querendo garantir assentos, é só procurar um escritório (Midori-no-madoguchi) da JR na estação.  Os períodos de maior fluxo de passageiros, quando a reserva de assentos é altamente recomendada, são de 28 de dezembro a 6 de janeiro (feriado de Ano Novo), de 27 de abril a 6 de maio (feriado anual de Golden Week) e de 11 a 20 de agosto (Obon, feriado tradicional de retorno ao lar). O final do mês de março e o mês de abril como um todo também podem ser mais concorridos em função da floração das cerejeiras e o grande número de turistas que visita o país nessa época.

Como o passe não é magnético, precisamos mostrá-lo a um agente cada vez que o usamos. Sempre há um guichê ao lado das catracas, é só ir lá, mostrar o JR Pass e passar. Eles conferem principalmente a data de validade do passe. Esse procedimento é feito tanto no embarque quanto no desembarque.

 

JR Pass dentro das cidades

Além dos trens, o JR Pass pode ser usado em algumas linhas locais de ônibus da própria JR em determinadas cidades, como por exemplo em Kyoto ou em Kanazawa. Ele é válido também no ferry-boat que vai de Hiroshima para a ilha de Miyajima. Dentro de algumas cidades, como Osaka ou Tokyo por exemplo, existem trens locais da JR, onde o passe também pode ser usado.

Mas, não é muito vantajoso contar com o passe para o deslocamento dentro das cidades. A abrangência das linhas locais da JR é um tanto limitada e muitas vezes precisamos usar outras companhias de trem ou de metrô – que não aceitam o JR Pass – para chegar ao ponto onde queremos.

Por esse motivo, muita gente acaba não usando o JR Pass durante a estadia em Tóquio, ou somente em parte dela. Foi o que fizemos: Tóquio foi nossa última cidade-base e programamos o uso do JR Pass de 14 dias para vencer no segundo dia por lá (quando aproveitamos para fazer um bate-volta a Nikko). Não havia necessidade de comprar o passe de 21 dias para abranger o restante do período, pois ele não cobria os trajetos que pretendíamos fazer.

 

Valores

Não te assusta com o preço do JR Pass. Estes são os preços para compra antecipada:

Exemplificando com a cotação de abril/2019, o passe ordinário para um adulto custa, respectivamente: R$ 1005, R$ 1603 e R$ 2050! O passe green possibilita o embarque nos vagões superiores, mas sinceramente os vagões comuns são tão confortáveis e limpos que não vejo necessidade.

Para compra do passe diretamente no Japão, esses são os valores:

 

E afinal, compensa comprar o JR Pass?

A resposta, como para muitas coisas na vida, é: depende. 😀

O passe é caro sim, mas os bilhetes individuais também são. É preciso ver quais deslocamentos serão feitos e colocar tudo na ponta do lápis. O site Explore Japan (um dos revendedores autorizados do passe) oferece uma calculadora onde podemos simular os deslocamentos e comparar os custos.

Uma maneira ainda mais detalhista de calcular esses custos com deslocamento (foi a que usei) é ver o valor de cada trecho no site Hyperdia. A propósito, esse site é fundamental não só no planejamento, mas também durante a viagem para verificar os horários e as rotas dos trens.

Na nossa viagem, ficamos 21 dias no Japão e compramos o passe de 14 dias, e ele representou uma boa economia pois percorremos muitos trechos com ele. Mas cada caso é um caso. Pode ser que um dos passes regionais que mencionei acima seja suficiente para o teu roteiro. Ou, no caso de poucas cidades-base e poucos deslocamentos, pode compensar comprar os tíquetes individualmente.

Alternativamente, fazer alguns deslocamentos de ônibus podem ser suficientes e mais econômicos. Para consultar trechos e valores dos ônibus, consulta o site Japan Bus Online.

Para maiores informações, consulta o site oficial do Japan Rail Pass.


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