Data da viagem: 28/11/2018

Santorini é uma parada muito comum de cruzeiros que operam rotas pelo Mediterrâneo e acaba sendo a única maneira que muitas pessoas tem de conhecê-la. Segue aqui um roteiro de um dia em Santorini para quem também vai desembarcar por lá.

Tive a oportunidade de estar em Santorini durante um desses cruzeiros. Fiquei um pouco aflita com a ideia de ter poucas horas para explorar um lugar que eu sempre quis conhecer – e que merece mais tempo, mas encarei a visita como uma “degustação”. Melhor algumas horas do que nada, não é mesmo?

 

Santorini

Santorini é o nome da ilha, e sua capital é Fira (ou ainda Thira ou Thera). Apesar de chamarem Fira de capital, as outras localidades, como Oia ou Imerovigli, não são outras cidades, mas um tipo de divisão administrativa diferente, que eles chamam de comunidades municipais. Ou – mais fácil 😀 – vilas ou vilarejos.

Também de nome Santorini é o arquipélago que se originou de uma explosão vulcânica. O conjunto das ilhas tem uma forma circular e é facilmente identificado o formato da caldeira de um vulcão, sendo que a ilha de Santorini é a maior, parecida com uma meia-lua.

 

Porto Antigo

Via de regra, os navios de cruzeiro ficam ancorados em frente ao Porto Antigo e pequenos barcos fazem o  transporte dos passageiros entre um e outro.

O porto é bem pequeno e herdou esse nome após a construção do porto novo, chamado Athinios, que é onde chegam e saem os ferry-boats que fazem ligação com outras ilhas e com o continente.

Porto Antigo de Santorini.

Porto Antigo de Santorini.

 

Desembarcando no Porto Antigo, olhamos aquele paredão de pedra e Fira está lá em cima. E agora?

As opções que ligam o Porto Antigo e Fira são:

  • a pé pelo caminho em zigue-zague e com mais de 500 degraus (não recomendo fazer isso na chegada à ilha, pois ainda tem muito chão pela frente), falo mais sobre ele mais adiante;
  • pelo mesmo caminho de zigue-zague, mas no lombo de burros. Os condutores ficam com seus grupos de aproximadamente 10-12 burros e cobram cinco euros por pessoa o trajeto. Eu fico com pena dos bichinhos, e sem contar que eles vão deixando um rastro de excrementos nada agradável (fico imaginando no verão, quando a combinação mais pessoas+mais burros para transportá-las+calor deve espalhar aquele odor…); ou
  • de teleférico. Por vez, sobem/descem seis cabines que comportam seis pessoas cada. O trajeto leva uns três minutos e custa 6 euros por pessoa. Eu estava com meus pais, idosos, e foi a opção escolhida para subir. Não pegamos fila nenhuma, só tivemos que aguardar a próxima leva de cabines chegar (vantagens de se viajar em baixa temporada). Mas atenção: para a descida o movimento de pessoas tende a se acumular e fomos alertados no cruzeiro que as filas para o teleférico podem facilmente ultrapassar uma hora de espera e, durante a alta temporada, podem chegar a duas horas!
Porto Antigo de Santorini, Fira e o caminho em zigue-zague que faz a ligação.

Embaixo, o Porto Antigo, e no alto, Fira. Dá para ver o caminho em zigue-zague que liga ambos, e à sua esquerda, o teleférico.

Cabines do teleférico de Santorini.

Cabines do teleférico de Santorini.

A vista de Santorini durante a subida de teleférico.

A vista durante a subida de teleférico.

 

Fira

Logo na saída do teleférico em Fira, já é possível ter uma bela visão das construções empoleiradas com o mar Egeu lá embaixo.

Vista das casas brancas na encosta em Fira.

Vista da encosta em Fira.

 

Seguimos caminhando em direção à Avenida 25is Martiou (duas quadras da saída do teleférico) e lá pegamos um táxi para ir diretamente a Oia. Nessa mesma avenida, há diversos estabelecimentos que alugam carros, motos e quadriciclos. Eu particularmente não cogitaria essa possibilidade durante um cruzeiro, pois se acontece qualquer coisa que atrase a devolução do veículo, o cruzeiro se vai e a pessoa fica literalmente a ver navios. Mas fica a dica para os corajosos que quiserem encarar essa opção e para as pessoas que vão passar mais dias na ilha.

Perto dali há também a praça Plateia Theotokopoulou, que concentra os terminais de táxi (caso não dê para pegar um na avenida) e de ônibus para vários cantos da ilha. O transporte público lá não é dos mais eficientes e os ônibus para Oia circulavam (nessa época, pelo menos) aproximadamente de hora em hora. Para quem quiser economizar pode ser interessante, antes de pegar um táxi, ver se não tem um ônibus perto do horário de sair.

Fira é repleta de restaurantes e lojas diversas: de artesanato, de roupas, de jóias… Como inevitavelmente temos que passar por Fira para retornar ao navio, é interessante deixá-la para o final do passeio. Aí cada um administra o tempo restante como achar melhor (sem esquecer de calcular o tempo para descer de volta ao porto): dá para comer em um dos restaurantes, dá para fazer comprinhas… Eu andei um tanto por suas ruas, entrei em algumas lojas de souvenirs e comprei algumas lembranças.

 

Oia

A maior parte das fotos lindas e maravilhosas que costumamos ver de Santorini são tiradas em Oia, que é o vilarejo mais charmoso da ilha.

O táxi desde Fira custou 20 euros, e nos deixou na mesma praça do ponto final do ônibus. Ali tem alguns restaurantes, um posto de informações turísticas, ATM e banheiros.

Depois de descer ali, é só se perder pelas ruazinhas estreitas de pedra até chegar em um dos pontos onde temos a visão das casinhas ocupando a encosta sobre o mar. É só seguir o fluxo dos demais turistas. Ou não, em baixa temporada dá pra ir desbravando os caminhos que não tem ninguém. O lugar parece um labirinto.

Rua de Oia.

Ruazinha fofa de Oia.

Vista das casas brancas em Oia.

E é nesse momento que a gente se apaixona de vez por Santorini. 🙂

 

Há restaurantes, cafés e lojinhas espalhadas pelo vilarejo, mas o melhor programa é ir explorando os caminhos e encontrando diferentes pontos de vista da paisagem, um mais espetacular que o outro.

As construções empoleiradas na encosta de Oia.

As construções empoleiradas na encosta.

 

Já deu pra visualizar que todos esses caminhos são bastante irregulares, com o pavimento de pedras, e passear por lá envolve bastante sobe e desce de escadas. É uma informação importante para quem, por exemplo, quer ir com carrinho de bebês, ou como no meu caso, que estava com dois idosos que têm dificuldades para caminhar. Fomos andando devagarinho, eles curtiram um monte, adoraram tudo que puderam conhecer, mas no fim da manhã já estavam exaustos. Pegaram um táxi até o teleférico e voltaram para o navio.

Depois de colocá-los no táxi, continuei passeando por Oia. Aqueles cenários das casas brancas nas encostas e o mar azulzão lá embaixo era exatamente a Santorini que eu sonhava conhecer, e eu não me cansava de olhar para tudo aquilo.

 

Um ponto muito legal pelas vistas que oferece é nas ruínas do Castelo Bizantino. São só ruínas mesmo, nem se identifica que foi um dia um castelo, mas vale pela paisagem. É por essa região também que vemos alguns moinhos.

Moinho em Oía.

Moinho em Oía.

 

Depois de muito caminhar por lá, retornei para a praça de onde sai o transporte para Fira. Entrei em um restaurante bem chumbrega que tinha ali 😀 (há outros bem ajeitados) e comi uma deliciosa salada grega, com uma fatia enorme de queijo feta saborosíssimo, acompanhada, é claro, de uma cerveja deles (adoro experimentar cervejas locais!). Dei sorte porque, enquanto eu estava lá, caiu uma pancada de chuva rápida que por pouco não me pegou desprevenida na rua.

Quando saí do restaurante, pronta para pegar um táxi, vi que a fila para o ônibus estava grande. Pensei que deveria estar perto do seu horário e fiquei ali aguardando. De fato, não esperei mais do que três minutos por ele, que sorte (de novo). Querendo saber antes os horários para organizar o retorno, tem o posto de informações turísticas ali bem em frente.

 

Caminho Fira-Porto Antigo

Perto da hora de retornar ao navio, passei em frente ao teleférico só por curiosidade, e a fila estava bem grande! Era o que eu precisava para decidir descer a pé até o porto.

O chão estava ainda um pouco úmido da chuva que tinha caído. Desci devagar para não escorregar nas pedras (nem nos dejetos dos burros) – e também para curtir o visual – e mesmo assim não chegou a dar 25 minutos o trajeto.

O caminho de pedras entre Fira e o Porto Antigo.

O caminho de pedras entre Fira e o Porto Antigo.

 

Os burros de Santorini

Não só no caminho entre Fira e o porto, mas pelas ruelas de Fira e também de Oia, os condutores passam com seus burrinhos o tempo todo.

Enquanto eu descia para o porto, me deparei com um grupo que estava espalhado pelo caminho, sem espaço para que eu passasse. Esperei um pouco para ver se o condutor ia tocar os bichos para um lado, mas ele nem me deu bola. Passei literalmente no meio da bicharada, com medo de levar uma patada, mas eles são bem de boas e acostumados com gente.

Em Oia, por alguns momentos minha mãe ficou sozinha, enquanto eu esperava meu pai que estava em uma loja, uns 50 metros atrás. Quando alcançamos minha mãe, ela contou que um grupo de burros passou por ela e, como a rua era muito estreita, um dos bichos bateu nela e… ela se desequilibrou e caiu! O condutor dos bichos nem tomou conhecimento e foi um outro turista que a ajudou a se levantar. Ainda bem que ela estava com um casaco bem fofinho que amorteceu a queda, e o saldo foi só um hematoma no cotovelo.

Então, enfim, os bichos são mansos mas não custa ter cuidado quando eles estiverem passando. 😉

Burros na escadaria entre Fira e o porto.

Burros na escadaria entre Fira e o porto.

 

Moradores x visitantes

Achei muito interessante essa plaquinha aí abaixo, que encontrei em uma das ruas de Oia.

 

No geral, as pessoas de lá nos trataram super bem. Mas por exemplo, em um momento eu estava tirando fotos e senti uma cutucada no meu ombro. Era um senhor com uma vassoura, falando mil frases em grego, meio brabo. Eu obviamente não entendi nada do que ele disse, mas saí de perto e deixei ele seguir varrendo. Eu compreendo que, para quem vive em um lugar assim tão turístico, seja uma rotina chata ter o seu “lar” sempre cheio de estrangeiros – que muitas vezes não respeitam nem o local e nem seus moradores. Enfim, é uma discussão bem recorrente sobre cidades como Paris, Barcelona, Veneza… então sempre vale lembrar que respeito é bom em qualquer lugar do mundo! Não deixar lixo, não depredar, obedecer sinalizações, e por aí vai. Todas aquelas regrinhas que todo mundo conhece mas que vários “esquecem”.

 

Outras opções de passeios

Eu me concentrei em passear por Fira e Oia porque era, como disse, a Santorini dos meus sonhos. Mas existem outras opções de passeios para fazer em um dia. Conforme a época do ano, há mais ou menos opções de passeios, que podem incluir praia.

Cheguei a cotar com um taxista em Oia para ele me levar a Red Beach, Black Beach e depois de volta a Fira, e ele queria cobrar 90 euros pelo percurso todo, esperando 15 minutos em cada praia. A essa altura eu já estava sozinha e ficaria caro, mas é uma opção interessante para quem está entre mais pessoas. Vale também negociar um preço para um tempo maior de espera em cada parada. Este post do blog Segredos de Viagem sobre Red, White e Black Beach está bem legal.

Outro passeio que parece ser muito bom é o de barco pela caldeira, incluindo um passeio pelo vulcão ativo e um banho nas águas aquecidas pela atividade vulcânica. O blog Sala de Embarque conta neste post como foi a experiência deles nesse passeio.

 

Valeu a pena?

Nossa! Muito! Saí de lá com a absoluta certeza de que preciso voltar e separar uns dias para conhecer mais cantos do arquipélago. Mas essas poucas horas que estive em Santorini já foram fantásticas.

 


Durante esse cruzeiro, visitei também as cidades de Dubrovnik, Kotor e Katakolon.


Tens algo a acrescentar sobre como aproveitar melhor esse roteiro de um dia em Santorini? Ficaste com alguma dúvida? Deixa um comentário! 😉

Boas viagens a todos!