Data da viagem: 29/11/2018

 

Estivemos em Katakolon durante uma parada de cruzeiro e deixo aqui algumas informações para um roteiro de um dia por lá.

Katakolon é uma cidade que fica no oeste da Grécia, na costa do Mar Jônico. Para ser mais precisa, na Península do Peloponeso. Lembra das aulas de história? Guerra do Peloponeso, Esparta x Atenas? 😀 . Eu particularmente nunca tinha ouvido falar dessa cidade, até ela constar no roteiro do cruzeiro que eu e meus pais fizemos pelo Mar Adriático e proximidades (Veneza-Dubrovnik-Kotor-Santorini-Katakolon-Veneza).

Fui então pesquisar o que havia para fazer nesse lugar. Descobri que é um porto de parada bastante comum de cruzeiros pela região. O passeio mais procurado para quem desembarca por lá é a cidade de Olímpia, a 40 km do porto. Aí sim! De Olímpia eu ouvi falar e fiquei empolgada com a ideia de conhecê-la.

 

Como chegar em Olímpia saindo de Katakolon

Encontrei poucas informações sobre formas de deslocamento entre esses lugares ou sobre a disponibilidade de táxis ou transfers em frente ao porto. O próprio cruzeiro oferecia passeios à Olímpia, mas aí ficaríamos presos aos horários e ritmo deles (e os passeios organizados pelo cruzeiro são bem carinhos! 😮 ).

Achei então no Trip Advisor o serviço do TaxiKatakolo, um serviço de carro com motorista particular, muito bem avaliado. Entrei em contato e após uma ágil troca de e-mails deixei reservado o passeio.

Olha, eu esperava um bom serviço, mas o Andreas (responsável pelo TaxiKatakolo) superou todas as nossas expectativas! Tem muito conhecimento sobre a região, passa informações o tempo inteiro e conta histórias. Simpático, gentil, paciente, prestativo, enfim, uma pessoa super agradável para conduzir um dia de passeio. Ele transformou nossa parada nesse lugar do qual não sabíamos muito bem o que esperar em um dos momentos mais prazerosos e memoráveis da viagem toda.

Se tu estás lendo este post porque também vais para Katakolon, entra em contato com ele: olympiataxi@yahoo.gr . Sério, tu não vais te arrepender. Vale cada centavo e a partir de duas pessoas já fica mais barato do que fazer a excursão oferecida pelo cruzeiro.

Mas, se após todos os elogios que fiz ao Andreas, tu ainda queres uma forma mais econômica de ir à Olímpia, é possível. No desembarque do navio havia uma operadora oferecendo ida e volta em ônibus por 8 euros por pessoa. Esse tour disponibiliza duas horas para conhecer o local.

Porém, eu insisto, pensa com carinho em contratar o Andreas. Seu serviço é para o dia todo e ele nos levou não só ao sítio arqueológico e ao museu de Olímpia, mas também a outros locais conforme vou ir contando aí abaixo.

 

Olímpia

Ruínas do sítio arqueológico de Olímpia.

 

Nada mais nada menos do que o local onde aconteciam os Jogos Olímpicos da Antiguidade. A primeira edição aconteceu no ano de 776 a.C., e foram realizados de quatro em quatro anos até a sua proibição, em 393 d.C.

Nos anos seguintes, o Império Romano se encarregou de destruir parte dos templos, e alguns terremotos na região se encarregaram de botar abaixo o resto. 🙁

 

Hoje, o local é um sítio arqueológico que consta na lista de patrimônio mundial da humanidade da UNESCO. Existem somente ruínas, mas é possível ver perfeitamente a configuração do local com a distribuição dos templos, altares e algumas construções onde os jogos se realizavam, como por exemplo o estádio.

 

O Andreas não pode nos acompanhar dentro do sítio porque somente guias credenciados são autorizados (ele providencia esse serviço à parte, para quem estiver interessado). Mas ele nos emprestou um guia com ilustrações e informações, mostrando como era o local no seu auge. Muito legal! Para quem tiver interesse, o mesmo guia fica à venda nas lojinhas de bugigangas logo em frente ao desembarque do navio de cruzeiro.

 

A construção mais famosa do local foi o Templo de Zeus. Originalmente com seis colunas de frente e treze de lado, abrigava uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo: a Estátua de Zeus. A escultura do deus, sentado sobre um trono, tinha aproximadamente treze metros de altura e era toda ornamentada com marfim, ouro e pedras preciosas!

Atualmente, só uma coluna – que foi restaurada – está em pé, a fim de dar ideia da magnitude que o templo possuía.

Coluna reconstituída do Templo de Zeus, em Olímpia.

 

Caminhamos por aproximadamente uma hora pelo local. Como comentei, eu estava com meus pais, que tem certa dificuldade de locomoção, e eles cansaram. Dá tranquilamente pra passar mais tempo lá, especialmente se o dia estiver bonito como foi conosco. O lugar é muito agradável para passear sem pressa.

 

Depois de sair pelo portão do sítio arqueológico, percorremos uma trilha de aproximadamente 500 m até o Museu Arqueológico de Olímpia. Muitas das esculturas e peças diversas encontradas nas escavações do local estão expostas lá.

Estátuas no museu de Olímpia.

 

As esculturas são as peças mais atraentes do museu. É interessante como muitas delas foram remontadas a partir de diversos pedacinhos, ainda que com algumas partes faltando.

Hermes de Praxíteles.

 

Há ainda coleções de artefatos em bronze e em terracota.

 

O museu se divide em doze salas. A visita não é muito demorada (algo entre 30 e 45 minutos). Poderia haver no local mais painéis explicativos e informações sobre as peças expostas, mas ainda assim vale muito a pena.

 

Informações

O ingresso inclui entrada para sítio arqueológico + museu arqueológico + museu da história dos jogos olímpicos da antiguidade. Custa 12 euros no período de 1º de abril a 31 de outubro, e 6 euros entre 1º de novembro até 31 de março. Para mais informações sobre horários, dias de fechamento e etc, consulta aqui o site oficial.

 

Produção de azeite de oliva

A região tem quilômetros e mais quilômetros de oliveiras, e aliás uma das coisas mais gostosas deste passeio foi transitar pelas estradinhas entre as plantações – que cenário lindo! Por óbvio, há muitos produtores de azeite de oliva por lá e o Andreas nos levou na propriedade de sua família para que conhecêssemos o processo de obtenção do azeite.

Mostrou as etapas, desde a separação do fruto das folhas, a prensagem e a colocação da pasta obtida sobre redes (como peneiras). Por fim provamos o azeite que estava um tonel aguardando o engarrafamento.

 

Achei interessante o reaproveitamento que eles fazem do fruto após a extração do azeite. O que sobra passa por um processo de secagem e então eles usam isso como combustível para a calefação durante os meses de frio. Muito bem.

 

Monastério Kremastis

O Monastério de Kremastis teve sua construção iniciada em meados de 1600, no topo de uma montanha rochosa a 300 metros de altitude. Fica isolado, com somente alguns povoados próximos e uma ou outra casa espalhada pelos campos. Cerca de 10 freiras vivem lá atualmente.

Estávamos na estrada somente entre olivais, sem ver alguma casa ou pessoa há alguns quilômetros. Na subida para o monastério, passamos por um pastor conduzindo dezenas de cabras, cada uma com um sininho no pescoço. Tivemos que parar o carro e esperar as cabras atravessarem a estrada, e todos os sinos faziam barulho enquanto elas corriam. Foi tão lindo! Incrível como essas cenas inesperadas acabam permanecendo entre as melhores memórias de uma viagem.

Monastério de Kremastis.

 

Iniciamos a visita no alto do Monastério Kremastis. A vista lá de cima era deslumbrante.

 

Não havia outros turistas e tampouco vimos alguma das freiras. O silêncio só era cortado pelo barulho do vento nas árvores e pelos sinos das cabras lá embaixo, ao longe. Mágico!

 

Desci pela escadaria que passa entre as construções, enquanto Andreas levou meus pais no carro pela estradinha. Nos encontramos na parte de baixo.

 

Uma pena que a igrejinha – que é construída dentro da pedra – estava fechada, e a visita ficou só pela parte externa do Monastério.

Depois disso retornamos ao porto, pois o horário de partida do navio se aproximava. Conforme a época do ano, há a possibilidade desse passeio incluir visita a vinícola, ou alguma praia, entre outras possibilidades. Tudo pode ser previamente combinado com o Andreas.

 

Porto de Katakolon

O simpático porto de Katakolon (visto do alto do navio).

 

Em frente ao porto há um bom número de lojinhas, principalmente de artesanato – perfeito para quem quer comprar algum souvenir. Há também diversos restaurantes de frente para o mar, com mesas ao ar livre. Um ambiente bem legal e agradável.

Aproveitei para comer uma moussaka bem gostosa acompanhada de uma cerveja local – e também para usar um pouco o wifi do restaurante, porque no navio o valor era impraticável. 😛

 


Durante esse cruzeiro, visitei também as cidades de Dubrovnik, Kotor e Santorini.


Tens algo a acrescentar sobre Katakolon? Ficaste com alguma dúvida? Deixa um comentário! 😉

Boas viagens a todos!