Deixo aqui a sugestão de como aproveitar um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro, baseada na experiência que tivemos durante o cruzeiro que fizemos pelo Mar Adriático em novembro/2018. São poucas horas para explorar um pouquinho da cidade que certamente tem atrativos para preencher alguns dias, mas dá para curtir. 

Dubrovnik está bem ao sul da Croácia, a poucas dezenas de quilômetros de Montenegro, em uma região que, curiosamente, está separada do resto do país por um braço de terra da Bósnia e Herzegovina que se comunica com o mar. Chamada também de Pérola do Adriático, é uma das cidades croatas mais procuradas pelos turistas e é um porto bastante frequentado por navios de cruzeiro que operam circuitos pelos mares adriático e mediterrâneo.

Os navios de cruzeiro atracam no porto de Gruž, que recebe também ferry-boats vindos de outras cidades croatas e de algumas da Itália, bem como navios cargueiros. Vale muito a pena acompanhar a chegada do navio, que entra em uma pequena enseada protegida do mar aberto. A vista é muito bonita, passando em frente à Ponte de Dubrovnik (ou Franjo Tuđjman Bridge, com 518 metros de extensão), e há muitas casinhas bonitas construídas nas encostas próximas ao porto.

Vários táxis ficam à disposição logo em frente ao desembarque do navio. A corrida até a Cidade Antiga dura cerca de 10 minutos e custa €13.

Porto de Dubrovnik e a Ponte Franjo Tuđjman.

 

Cidade Antiga

A cidade antiga de Dubrovnik faz parte da lista de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e é sem dúvida a atração mais interessante de Dubrovnik. É considerada uma das cidades medievais mais bem preservadas do mundo.

Fundada no século VII, a cidade chegou a rivalizar durante a idade média com Veneza em importância enquanto porto marítimo para rotas comerciais dos mares adriático e mediterrâneo. Passou por sérias adversidades, como um terremoto devastador em 1667 e a guerra de desmembramento da Iugoslávia, nos anos 1990, quando sofreu diversos bombardeios. Felizmente ela sempre foi restaurada e está lá linda e forte para receber os visitantes.

O táxi vindo do porto deixa bem em frente ao principal portão de entrada da cidade, o Pile Gate.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

Pile Gate, a entrada principal para a Cidade Antiga.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

Parte da muralha e a Torre Minceta, em vista de fora da Cidade Antiga.

 

Após atravessar o portão Pile, damos de cara com uma rua comprida: é a Stradun (ou também chamada de Placa), via principal da cidade antiga. É aqui que está a maior concentração de restaurantes, casas de câmbio e lojas de souvenirs.

Stradun vista de cima da muralha, sobre o portão Pile.

 

Logo na entrada da Cidade Antiga, temos à direita a Grande Fonte de Onofrio, uma fonte em formato circular decorada com dezesseis diferentes máscaras esculpidas. Foi construída com o propósito de abastecer a cidade murada de água. À esquerda, o Monastério Franciscano que abriga a terceira farmácia mais antiga do mundo.

Grande Fonte de Onofrio.

 

Seguimos andando pela Stradun, curtindo as construções em pedra e janelas todas no mesmo tom de verde escuro – as regras para manutenção ou qualquer intervenção nas edificações dentro da cidade antiga são bem rigorosas, a fim de manter a identidade do local.

Stradun.

 

Os carros que aparecem aí na foto acima eram de uma exposição de carros antigos, pois não há trânsito de veículos no interior da Cidade Antiga.

Uma das ruas transversais da Stradun.

 

Chegando ao final da via principal, fica a Luža Square, uma praça onde estão muitas belas construções.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

 

À esquerda está o Palácio Sponza, construído no início dos anos 1500. É um dos edifícios que sobreviveu ao terremoto de 1667 e hoje abriga o Arquivo Histórico da cidade.

À frente, está a Torre do Relógio, construída no século XV mas já submetida a diversos reparos. No alto, duas figuras de bronze chamadas de Maro e Baro tocam o sino para indicar as horas. Ao lado direito da Torre do Relógio, está a Pequena Fonte de Onofrio, uma versão menor da fonte.

Pequena Fonte de Onofrio.

 

Passando sob o arco da Torre do Relógio, chegamos a uma área de onde temos uma ampla visão do Antigo Porto.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

Antigo Porto de Dubrovnik.

 

Voltando para a Luža Square, no centro da praça vemos a Coluna de Orlando, estátua de um cavaleiro medieval segurando uma espada. De acordo com a lenda, Orlando foi um cavaleiro que ajudou a população a manter Dubrovnik livre dos invasores durante a idade média.

E à direita da Luža Square, fica a Igreja de São Brás (Saint Blaise). Foi erguida no começo do século XVIII em substituição a outra igreja do século XIV que foi seriamente danificada pelo grande terremoto. Algumas obras da igreja anterior foram salvas e estão expostas lá atualmente. Saint Blaise (Sveti Vlaho em croata) é o santo padroeiro da cidade.

Coluna de Orlando e Igreja de Saint Blaise.

 

Seguimos caminhando passando pelo prédio da Prefeitura e chegamos ao Museu Histórico-Cultural, onde aproveitamos sua fachada para sentar, descansar e esperar um pouco para ver se a persistente chuva resolvia nos dar uma trégua. Ao lado do museu, fica a Catedral da cidade.

Seguimos até a Praça Gundulic (Gundulićeva Poljana), onde há a estátua de Ivan Gundulić, renomado poeta de Dubrovnik do século XVIII. Essa praça também tem várias lojinhas e restaurantes.

Praça Gundulic.

 

Ficamos caminhando aleatoriamente por diversas ruas secundárias. Passamos por várias lojas que exploram o interesse dos fãs de Game of Thrones  e de Star Wars, pois a cidade já serviu de locação de filmagens para essas duas histórias (respectivamente, como Kings Landing, a fortaleza da família Lannister, e como Canto Bight, um cassino para ricaços, no Episódio VIII). Tendo maior interesse, existem tours guiados que levam os visitantes aos locais das filmagens.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

Nessa escadaria houve parte das filmagens de uma cena antológica de GoT: “Shame! Shame!”.

 

A essa altura, meus pais estavam cansados de caminhar e queriam sentar em algum lugar para tomar um cafezinho ou fazer um lanchinho rápido. Porém, os restaurantes já estavam lotados com a movimentação do horário de almoço, então eles decidiram retornar para o navio. Essa é uma das vantagens de não fazer os passeios oferecidos pelo navio: cansou, vai embora. Cada um faz seu horário. Mas eu quis ficar e conhecer mais.

 

Muralhas

Decidi conhecer de perto as muralhas da cidade. Elas foram construídas entre os séculos XII e XVII e estão até hoje muito bem preservadas (mas também já passaram por diversos restauros). Elas circundam toda a cidade antiga e tem aproximadamente dois quilômetros de extensão. 

Para visitá-las, o preço atual (2019) é de 200 kunas (somente em kunas ou cartão de crédito, euros não são aceitos), e o horário de abertura varia conforme a época do ano (de 1 de novembro a 31 de março, é das 9h às 15h). Para mais informações, consulta o site oficial (que é em croata mas a função de traduzir do navegador dá conta do recado 😉 ).

É possível entrar e/ou sair por três portões: o principal fica ao lado do portão Pile, logo à esquerda de quem entra na Cidade Antiga, e foi por onde entrei. A segunda é no Forte Sveti Ivan, pertinho do Aquário da cidade, e a terceira é na Torre Sveti Luka, perto da Igreja da Santa Anunciação.

Logo que comecei o percurso, a chuva tinha dado uma trégua e o passeio estava ótimo. As vistas tanto da cidade antiga quanto do mar são sensacionais.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

Sobre a muralha, vendo o mar e a Fortaleza Lovrijenac.

Pois lá pela metade do trajeto, a chuva veio com tudo. Além dela, o vento forte, como dá para notar pelas ondas na foto acima. Abri minha sombrinha, mas digamos que não adiantou muito 🙄 . Uma pena, pois é quase no final do trajeto que chegamos à Torre Minceta, o ponto mais alto das fortificações ao longo da muralha. A vista dali é a melhor de todas, mas eu já estava bastante molhada e preocupada que meus documentos e eletrônicos fossem atingidos.

Um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro.

Vista da Cidade Antiga a partir da Torre Minceta.

 

Só para completar, quase chegando na saída o vento levou minha sombrinha por uns metros e um senhor que passava por mim riu da minha cara dizendo que se eu não fechasse a sombrinha, viraria a Mary Poppins. 😀

Mesmo com o mau tempo, esse passeio sobre a muralha foi uma das coisas mais legais que fiz lá na minha curta visita. Recomendo.

 

Moeda e câmbio

A moeda oficial da Croácia é a kuna. Atualmente (janeiro/2019) um euro vale aproximadamente 7,4 kunas (um real vale 1,7 kuna). Por ser um local que costuma receber cruzeiros, quando muitos turistas não vão fazer câmbio pela moeda local para passar algumas poucas horas, muitos dos estabelecimentos turísticos aceitam euros. Compramos souvenirs e bebi uma cerveja local em um bar, e pagamos tudo com euro, assim como o táxi de e para o porto.

Precisando de kunas, assim como precisei para pagar a entrada da muralha (ali não aceitam euros), não há problema. Há várias casas de câmbio na Stradun. Neste dia, que era um domingo, algumas estavam fechadas, mas não foi difícil encontrar um lugar onde pude fazer a troca.

 

 Demais atrações

 

O mapa aí de cima é do site Dubrovnik-travel, que tem várias informações legais sobre a cidade.

Outro lugar que eu pretendia ir nessa parada por lá era o teleférico da cidade, que leva a uma altura de 400 metros. Por conta do mau tempo, esse passeio ficou de fora – na verdade, eu nem enxerguei o teleférico, de tanto que a paisagem estava encoberta pelas nuvens. Esse post do blog Dubrovnik em Português mostra o quanto deve ser legal esse passeio.

Ah, e é claro, se o cruzeiro acontecer durante o verão, ainda há a opção de aproveitar algumas horas em uma das belas praias dos arredores.

Enfim, opção do que fazer não falta. Esse post do blog Esse Mundo é Nosso fala sobre mais atrações, inclusive para quem vai passar mais dias na cidade. Só não dá para se empolgar muito e querer enfiar um monte de coisa em poucas horas durante a parada do cruzeiro. Não se esqueçam que, na hora marcada, o navio vai embora (a não ser que o atraso seja em um passeio vendido por eles mesmos)!

Eu adorei essa “degustação” de Dubrovnik e fiquei com a certeza de que quero voltar com mais tempo e conhecer melhor seus atrativos.


Durante esse cruzeiro, visitei também as cidades de Kotor, Santorini e Katakolon.


Tens algo a acrescentar sobre como aproveitar um dia em Dubrovnik durante uma parada de cruzeiro? Ficaste com alguma dúvida? Deixa um comentário! 😉

Boas viagens a todos!