Período da viagem: 01/12 a 05/12/2018

 

Esta é uma sugestão de roteiro de três dias inteiros em Roma, desconsiderando o dia da chegada e o dia de partida. Apesar de ser focado para pessoas da terceira idade, ele é perfeitamente adaptável para pessoas de qualquer faixa etária e inclui alguns dos principais pontos turísticos, portanto também é útil para quem está indo visitar a Cidade Eterna pela primeira vez. Vou deixar também sugestões para as pessoas que podem e querem andar muito explorando a cidade.

 

CUIDADOS DURANTE O PLANEJAMENTO

Turismo na terceira idade, ou – no meu caso – acompanhada de pessoas da terceira idade – requer uma série de cuidados. Foi a primeira vez na minha vida adulta que viajei com meus pais – atualmente com 71 e 78 anos. Os dois andam devagar, tem um pouco de dificuldades com terrenos irregulares ou muitas escadarias e minha mãe tem a mobilidade da perna direita reduzida, em consequência de um AVC, e usa uma muleta para caminhar. Essas características me fizeram ter cuidado com coisas que eu nunca tinha prestado atenção antes, desde o planejamento da viagem.

Começou com a escolha da hospedagem: precisava ser extremamente bem localizada, com elevador, com café da manhã e disponibilizar quarto sem banheira. Escolhi o Raeli Hotel Siracusa, bem em frente ao Termini. Depois de reservar pelo Booking, escrevi para o hotel explicando a dificuldade de locomoção dos meus pais e ressaltando que precisávamos de quarto sem banheira. Isso é só um exemplo do que quero dizer com prestar atenção nas necessidades da terceira idade: para mim seria ótimo ter banheira no quarto, mas para eles, especialmente minha mãe, entrar e sair de uma banheira é um grande esforço.

O hotel é simples porém atendeu bem as nossas necessidades. Quanto à localização, o entorno da estação Termini não é dos mais bonitos, especialmente à noite, mas para nós a conveniência de estarmos bem localizados superou isso. Das quatro noites que passamos lá, em três jantamos no Mercato Centrale, dentro da Estação Termini. É um ambiente bonito e descontraído, com várias opções de bancas de refeições, lanches, bebidas e doces.

 

ROTEIRO

Falando agora especificamente do roteiro, os principais cuidados foram: não colocar muitas atrações em um mesmo dia, prever pausas para descanso, respeitar os horários das refeições e evitar locais ou trechos com terreno muito irregular.

Notem que não estou afirmando que todas as pessoas da terceira idade tem dificuldades para caminhar ou que não possuem condições físicas de andar o dia todo subindo e descendo as colinas de Roma. Estou sugerindo esse roteiro e esses cuidados baseados na experiência que tive com os meus pais e ele pode e deve ser adaptado para quem tem tanto melhores quanto piores condições. As possibilidades e necessidades individuais tem que ser avaliadas e só quero mostrar a alguém que esteja pensando “já não tenho mais idade para viajar”, ou então “gostaria muito de viajar com meus pais/avós, mas acho que eles não aguentam”, que é possível sim! E proveitoso!

Ter flexibilidade no roteiro ajudou muito. Saíamos do hotel com uma ideia do que queríamos visitar no dia, mas sem obrigações. Quando o cansaço batesse, era só voltar pro hotel e pronto. Preferi não comprar nenhum ingresso antecipado para não engessar nossa programação.

As refeições e lanches, ou mesmo somente um cafezinho, eram sempre oportunidades para sentar, descansar e usar o banheiro.

Os deslocamentos foram feitos de táxi. Ainda que a malha de transporte público de Roma seja muito boa, o táxi evitava, por exemplo, pegar um metrô cheio e ter que ficar em pé. Além de ser mais um tempinho para sentar e descansar. O valor das corridas não ficava exorbitante, ainda mais diluindo entre três pessoas. E felizmente não tivemos problemas com taxistas “malandrinhos”.

 

PRIMEIRO DIA

 

 

Iniciamos o dia descendo do táxi bem em frente ao Coliseu.

Excelente maneira de iniciar um tour por Roma 🙂 !

 

Era primeiro domingo do mês: dia de visita gratuita. As filas eram homéricas! Meus pais não faziam questão de ver o Coliseu por dentro, a menos que sobrasse tempo, então seguimos o passeio sem frustrações.

Para quem faz questão de entrar:

  • no dia de visita gratuita, há muitos profissionais oferecendo visita guiada, e nesse caso não há necessidade de fila. Várias pessoas nos abordaram oferecendo essa opção em diversos idiomas, até em português. Obviamente, o serviço é pago.
  • em todos os outros dias de visitação normal e querendo um meio de evitar as filas para entrar lá, recomendo o post do blog Vou pra Roma sobre como Furar Fila no Coliseu com Passes, com e sem Reserva Antecipada
  • outra observação importante é que o ingresso do Coliseu dá também direito a entrar no Palatino e no Foro Romano. São atrações sensacionais, mas também tomam bastante tempo e boa parte do percurso é em terreno irregular e com subidas e descidas.

Seguimos caminhando pela Via dei Fori Imperiali, que é a própria definição de museu a céu aberto. Do lado esquerdo, dá para ver algumas das construções do Foro Romano, e do lado direito, os Fóruns de Nerva, de Augusto e de Trajano.

Foro Romano visto a partir da Via dei Fori Imperiali.

Foro di Augusto.

Foro Traiano (Fórum de Trajano).

 

Quase em frente à Coluna de Trajano, sentamos em um banco para descansar por alguns minutos.

Coluna de Trajano.

 

Contornamos o Altare della Patria até a frente da escadaria que leva ao Campidoglio. Minha mãe achou que seria desgastante subir, então fiquei com ela em um banco por ali enquanto meu pai subiu, e quando ele voltou foi minha vez de ir. Nos fundos da Piazza del Campidoglio, à esquerda, há um pequeno caminho de onde se tem mais uma bela vista do Foro Romano.

Altare della Patria, ou Monumento a Vittorio Emanuele II.

Escadaria da Piazza del Campidoglio.

 

Dali, pegamos um táxi que nos levou até a Piazza Navona. Após passear vendo as fontes e o movimento de turistas e de artistas expondo quadros, seguimos andando até o Panteão e entramos para ver seu interior.

Piazza Navona e o detalhe da Fontana dei quattro fiumi.

Panteão, por fora e por dentro.

 

Entramos na Sorveteria Don Nino, praticamente ao lado do Panteão, para aquela “parada estratégica”. 

Passamos em frente ao Templo de Adriano, sempre andando devagarinho, até chegarmos à Fontana di Trevi.

Fontana di Trevi.

 

Entramos em um dos diversos estabelecimentos que vendem pizza a taglio (pizza em fatias). Nem prestei atenção no nome do lugar, era uma portinha com três ou quatro mesas, alguns metros após a Fontana di Trevi. Mas estava bem gostoso (pizza na Itália, meio difícil ter erro, não? 😉 ). 

Seguimos até a Piazza Barberini e visitamos o Museu e a Cripta dos Frades Capuchinhos da Igreja Santa Maria della Concezione dei Cappuccini. O museu é pequeno e a maior atração é a cripta, com ambientes decorados com ossos dos frades capuchinhos. Pode parecer meio macabro para algumas pessoas, mas é muito bonito e serve para lembrar que estamos todos de passagem por aqui.

Saindo dali, meus pais estavam exaustos – a caminhada rendeu bastante! Saímos do hotel aproximadamente 8:30 e já eram 15:30. Eles pegaram um táxi para voltar para o hotel e eu segui o passeio nas atrações que menciono a seguir.

Bônus para quem ainda tiver disposição:

  • entrar na Chiesa di Santa Maria della Vittoria, para ver a maravilhosa escultura “Êxtase de Santa Tereza”;
  • conhecer a Basilica Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, que tem um interior belíssimo e projeto arquitetônico de Michelangelo;
  • visitar a Basílica de Santa Maria Maggiore, que tem diversos elementos decorativos muito bonitos, em especial o mosaico.

Obs.: visitar igrejas em Roma não é uma programação apenas para católicos. De modo geral, as igrejas são obras primas, recheadas de pinturas, afrescos, esculturas e diversos outros elementos decorativos belíssimos.

 

SEGUNDO DIA

 

 

Dia para conhecer o Vaticano: Praça e Basílica de São Pedro e Museus Vaticanos. O dia começou com uma chuvinha e por isso decidimos começar pelos museus. 

A entrada do museu é na Viale Vaticano e a fila estava quase chegando na esquina da Via Leone IV, mas pessoas com necessidades especiais tem uma fila à parte (a mesma de quem comprou ingresso online antecipado) e assim entramos direto. Querendo comprar o ingresso antecipado – o que é bastante recomendável – este é o site oficial da bilheteria do Vaticano.

Notem que o nome Museus Vaticanos – no plural –  não é à toa: são diversos museus, com coleções bastante distintas entre si, dentro do mesmo complexo. Isso significa que há milhares de coisas para se ver e facilmente se gastam horas lá dentro.

Nós focamos nas seções que nos interessavam mais e basicamente seguimos o percorso breve sugerido por eles nesse mapa:

Mapa de itinerários dos Museus Vaticanos (clica sobre a imagem para ampliar).

 

A maior adaptação que fizemos foi que, logo após a Galleria delle carte geografiche e o Appartamento di San Pio V, eu acompanhei minha mãe diretamente até a Capela Sistina enquanto meu pai fez o percurso em direção às Salas de Rafael (Stanze di Raffaello). Deixei ela lá sentadinha e voltei para também ver essas seções (um guarda não queria deixar eu voltar, pois a visita segue em sentido único, mas o outro tinha visto eu entrar auxiliando minha mãe e deixou, ainda bem que ele foi legal 🙂 ). 

Galeria dos Mapas (Galleria delle carte geografiche).

Afrescos de uma das Salas de Rafael (Stanze di Raffaello).

 

Nos reencontramos todos na Capela Sistina, que diga-se de passagem, é magnífica e por si só já vale a visita. Aliás, não só as obras de arte expostas nos Museus Vaticanos são interessantes, mas o lugar como um todo é incrível: paredes, teto, chão, tudo é deslumbrante. Mesmo que não dê para conhecer cada cantinho ou cada seção, a visita é sensacional. 

Mesmo com os atalhos, subimos e descemos várias escadas. Porém, há também um percurso para cadeirantes, e os guardas de lá mostraram-se o tempo todo bem prestativos em nos mostrar os melhores caminhos e onde os elevadores estavam localizados.

Saímos de lá e entramos em um restaurante quase em frente, tomamos um cafezinho somente para poder sentar e descansar um pouco. Minha mãe sentiu que não tinha mais condições de caminhar e preferiu voltar para o hotel. Pegamos um táxi até lá e depois eu e meu pai voltamos para o Vaticano, pois ainda faltava visitar a Basílica.

Basílica de São Pedro.

Interior da Basílica de São Pedro.

 

Pegamos uma fila de vinte minutos antes de entrar na Basílica, pois todos passam por detectores de metais, e bolsas e mochilas pelo raio-x. Depois, mais bastante caminhada lá dentro, pois a Basílica é gigante e tem muita coisa bonita para olhar. Quando saímos de lá meu pai se arrastava de cansaço, pegou um táxi e voltou ao hotel. Mais uma vez eu segui o passeio e deixo as sugestões a seguir.

Bônus para quem ainda tiver disposição:

  • passar em frente ao Castel Sant’Angelo e atravessar a ponte Sant’Angelo, decorada com imagens de anjos;
  • andar pela região entre o Castel Sant’Angelo e a Piazza Navona, cheia de ruazinhas estreitas, sem calçadas e com pavimento de pedras, com muitos restaurantes charmosos;
  • entrar na igreja Sant’Ignazio di Loyola, que tem no teto um incrível afresco de efeito 3D;
  • subir o elevador panorâmico do Altare della Patria, que oferece uma vista maravilhosa da cidade e permite identificar de longe muitas das atrações turísticas (subi lá quando a noite começava a cair e fiquei emocionada de tão linda que a paisagem estava!);
  • não cansou ainda? Caminha até o Coliseu, pois vê-lo de noite é completamente diferente e ao mesmo tempo tão incrível quanto vê-lo de dia (escrevi aqui um post sobre a visita noturna ao Coliseu, que fiz em outra oportunidade).

Ponte e Castelo Sant’Angelo.

Teto ilusionista da Igreja Sant’Ignazio di Loyola.

Cúpula do Vaticano vista a partir do mirante do Altare della Patria.

 

TERCEIRO DIA

 

 

Pela manhã pegamos um ônibus panorâmico (hop on hop off). Roma tem diversas opções desse serviço, como a City Tour, a Big Bus, entre outras. Escolhemos a City Sight Seeing, simplesmente porque seu ponto de partida ficava a poucos metros do nosso hotel, na Via Marsala, ao lado da Estação Termini (vê aqui o itinerário completo).

Compramos a bordo o bilhete para uso durante o resto do dia, descendo e reembarcando quantas vezes quiséssemos durante o horário de funcionamento da linha, mas há opção de bilhete com validade de 24, 48 ou 72 horas. 

Fizemos o percurso completo, que durou pouco mais de uma hora e meia. Foi uma maneira bem agradável de conhecer um pouco mais da cidade e ouvir pelo áudio-guia algumas explicações sobre os pontos turísticos e sobre um pouco mais da história de Roma (não há opção em português, mas há em espanhol ou inglês, entre alguns outros idiomas).

Descemos no ponto final (Termini) e almoçamos em um restaurante simples da mesma quadra do nosso hotel. Mais uma vez minha mãe preferiu ficar no hotel (estávamos no 13º dia de viagem e o cansaço já vinha se acumulando), então somente eu e meu pai embarcamos novamente no ônibus hop on hop off.

Dentre as possíveis atrações para visitar, meu pai escolheu conhecer o Coliseu por dentro (sábia escolha 😀 ). Pegamos uma fila de uns quinze minutos para comprar os ingressos na hora.

 

Quando saímos de lá, foi a vez do meu pai querer voltar pro hotel. Embarcou novamente no hop on hop off, fez o restante do itinerário e desceu no fim da linha. E eu? Fui aproveitar as últimas horas dessa passagem por Roma.

Bônus para quem ainda tiver disposição:

  • conhecer a Basilica di Santa Maria in Cosmedin, onde está a Bocca della Verità;
  • caminhar até a margem do rio Tibre e passar pela Isola Tiberina (o outono estava no fim e a coloração das folhas estava maravilhosa!);
  • passear pelas ruazinhas charmosas da região até chegar no Campo dei Fiori, onde durante o dia funciona uma feira de produtos locais;
  • passar pelo Largo di Torre Argentina, onde ficam mais algumas ruínas da época do Império Romano;
  • ainda tem energia? Vai até a Fontana di Trevi para vê-la iluminada: assim como o Coliseu, o charme do lugar fica bem diferente à noite, mas também muito encantador.

Isola Tiberina.

 

CONCLUINDO

Como já disse, essa é uma sugestão de roteiro que pode e deve ser adaptada conforme o caso. Acredito que o mais importante quando viajamos com pessoas que não possuem plenas condições físicas, seja pela idade ou por qualquer outro motivo, é ter flexibilidade no roteiro. Viajar na baixa temporada ajuda muito porque não é imprescindível comprar ingressos antecipados para atrações. E ter tempo disponível, não programando mil coisas para um único dia, também é importante.

É claro que essas sugestões não esgotam as atrações de Roma, que tem centenas de coisas interessantes. Mas permite aproveitar bem, dando uma boa ideia da cidade e deixando aquela vontade de ir lá de novo.

Tens outras sugestões ou observações a fazer sobre viajar na/com a terceira idade? Deixa aí nos comentários! 🙂