31/07/16

O grande dia! O momento mais aguardado da viagem, o maior motivo para termos ido ao Peru!

Os hotéis de Águas Calientes estão habituados a servir o café da manhã bem cedo, pois quem dorme lá é porque quer chegar a Machu Picchu antes das hordas de turistas que vem de Cusco (e que chegam bem mais tarde). Tomamos café (bem simples) às 5 horas, e às 5:30 fomos para a fila dos microônibus que levam ao alto da montanha. Esses começam a operar às 5:30, achamos que pegaríamos um pouco de fila, no máximo uma hora. Ledo engano…

Ficamos duas horas na fila. DUAS HORAS! De todos os blogs e relatos que li, não vi ninguém falar sobre ficar duas horas na fila do microônibus. Enfim, não restou nada além de esperar. Quase oito horas da manhã chegamos na entrada do Parque.

fila

“Pequena” fila do microônibus.

A fila para entrar foi bem rápida, mostramos os bilhetes impressos que recebemos pelo e-mail e o passaporte.

Compramos os ingressos com antecedência de 3 meses em http://www.machupicchu.gob.pe/. É altamente recomendável comprar os ingressos com antecedência, especialmente para julho. Além da entrada para Machu Picchu, é possível comprar também o ingresso combinado que dá direito a subir em uma das trilhas para ver o local do alto: Montaña ou Huayna Picchu. O número de visitantes permitidos nesses dois é bem restrito e com horário pré-determinado, quem tem interesse tem que se adiantar na compra das entradas. Compramos a entrada Machu Picchu + Huayna Picchu 10h-11h.

Depois do pórtico de entrada, caminha-se por menos de cinco minutos em uma trilha estreita e cercada de árvores, e de repente, a visão que se tem é essa:

chegada

UAU!

É aquela imagem clássica, que já vimos em centenas, milhares de fotos. E nada se compara a ver pessoalmente!

Ficamos um bom tempo ali, olhando, e tirando fotos, e olhando mais, e tirando mais fotos… A palavra mais clichê para descrever o lugar é “mágico”, mas não existe outra que defina melhor.

nos

geral

casas

construcoes

Subimos para um ponto onde a vista era igualmente fantástica, porém com um pouco menos de gente amontoada, e sentamos para fazer um lanche. Veio uma lhama bem sem-vergonha e mal-acostumada com os turistas que dão comida para elas 😀 e tentou roubar nossos biscoitos. O Rodrigo ia para um lado e para o outro com o pacote e ela esticava o pescoção atrás, até que viu que não ia conseguir nada com a gente e saiu ahahah. Dali a pouco uma mulher resolveu dar um pedaço de banana para ela e foi aí que a lhama se colou, a mulher gritava enquanto a lhama praticamente montava nela hehe.

lhama

Lhama sapeca.

Fizemos a trilha para a Ponte Inca. A ponte em si é interessante mas é só uma ponte (era uma rota de fuga para os incas, se necessário eles passariam por ali e tirariam a ponte, impedindo a passagem de quem quer que estivesse atrás deles). A vista que se tem dos arredores é sensacional.

ponte

Descemos para finalmente passar por dentro da cidadela e nos dirigimos à entrada de Huayna Picchu, pois estava quase no nosso horário. Ali, tivemos que tomar uma decisão: subir Huayna Picchu ou contratar um guia para nos acompanhar na visitação, que era uma coisa que queríamos muito. Ali, na hora, percebemos que só daria tempo de fazer uma coisa ou outra (a gente não contava também em perder tanto tempo esperando o microônibus). Optamos pelo passeio guiado e abrimos mão da subida para ver a cidadela de cima.

caminhos

terracos

flores

vale

Voltamos até a entrada do sítio, aproveitamos para ir ao banheiro e para carimbar nossos passaportes. Depois, procuramos um dos muitos guias que ficam oferecendo seus serviços por ali e contratamos a Graziela. 150 soles para um tour de aproximadamente uma hora e meia. Muitos guias organizam grupos de pessoas que queiram dividir esse valor, mas eu não achei nenhuma exorbitância pagar isso e ter um guia exclusivo, sem pessoas desconhecidas que podem ser umas malas. Não é toda hora que podemos conhecer uma das maravilhas do mundo, dá para abrir um pouquinho a mão e tornar o passeio muito melhor, certo?

Não me arrependo nem por um momento de ter escolhido fazer o passeio guiado no lugar de subir Huayna Picchu, foi simplesmente fantástico. Detalhes que passariam facilmente despercebidos se estivéssemos sozinhos foram mostrados e explicados pela guia.

guia

Com a Graziela, nossa guia.

Por exemplo, esse “pedregulho” aí embaixo era um tipo de observatório astronômico. Conforme a sombra se projetava em cada uma das saliências da pedra, eles sabiam se era época de plantar, ou de colher, ou se a estação seria seca ou chuvosa, e em função disso tudo também realizavam seus rituais e celebrações. Quantos anos e anos de observação e aprimoramento para desenvolver um mecanismo desses? Incrível!

calendario

Quando o tour terminou, já era mais de uma hora da tarde. Ainda passeamos mais um pouco e nos dirigimos à fila dos microônibus para descer, pois nosso trem para voltar a Cusco saía às 16:12. Ainda queríamos comer algo e trocar uns soles, pois o dinheiro que pagamos à guia era literalmente nosso último. A fila não estava diferente da que pegamos para subir. Perguntamos para um funcionário qual era a estimativa de tempo de espera e ele disse que, pela experiência dele, em torno de duas horas. Ah não, não vamos ficar de novo duas horas plantados em uma fila! 24 dólares dos tíquetes de descida foram desperdiçados, mas descemos a pé mesmo. Descemos devagar, sem correria, e levamos 50 minutos. Chegando lá embaixo, mais 25 minutos de caminhada até chegar ao centro de Águas Calientes.

rio

Quase chegando de volta em Águas Calientes.

Comemos, trocamos dinheiro e esperamos nosso trem. A viagem de volta foi como a da ida, confortável e com belas paisagens. O ponto final do trem é em Poroy, a cerca de 12 km de Cusco. Negociamos com alguns taxistas e pegamos um que nos cobrou 25 soles pelo trajeto (uns 30 minutos).

Passamos no hostel Mama Simona para pegar nossa mala. Essa última noite no Peru era a única que não estava reservada antes da viagem, no dia em que chegamos a Cusco tentamos reservar no próprio Mama Simona mas não estava disponível. Demos uma procurada no Booking e pegamos o Casa Imperial Inn.

Chegando lá, tinha uma placa de “lotado” na porta. Era só o que faltava! Fomos recebidos pela simpática Yésica, que disse que tentou nos contatar durante o dia para confirmar a reserva, mas que imaginou que estaríamos passeando e “segurou” nosso quarto. Ufa!

Saímos para dar uma caminhada de despedida de Cusco à noite e jantamos no Don Marcelo, só lembro que comemos ceviche e depois alguma outra coisa qualquer.

Considerações sobre visitar Machu Picchu no final de julho: como já disse, foi incrível, fantástico, inesquecível! Fomos em julho porque é quando podemos (a alternativa seria janeiro, mas no Peru é época de chuvas). Acontece que, para os peruanos, julho também é época de férias. Somado a isso, o final do mês de julho é uma espécie de feriadão das Festas Pátrias, então adivinha para onde os peruanos gostam de viajar? Exato, para Cusco e Machu Picchu.

Escolhemos ir no domingo porque era nosso último dia (inteiro) da viagem, creio que nada teria graça depois de ver Machu Picchu e queríamos mesmo fechar com chave de ouro, fazer um gran finale. Mas estava cheio demais! Ainda, os moradores de Cusco tem acesso liberado aos domingos. Tudo que podia contribuir para entupir o lugar de gente, aconteceu naquele dia. Portanto, quem puder optar por ir em outra época, ou pelo menos em outro dia da semana, eu recomendo!

Além disso, ficou um gosto enorme de quero mais por não termos subido Huayna Picchu. Acho que o ideal seria ter reservado dois dias para visitar (dormindo em Águas Calientes), colocando Huayna Picchu no segundo. No primeiro, andar sem pressa, tirar muitas fotos e fazer o tour guiado. No segundo, subir a montanha. Mas fica como desculpa para voltar para lá!

Alguns gastos (soles):

  • Guia: 150
  • Táxi de Poroy para Cusco: 25
  • Janta para dois: 67

Hospedagem: Casa Imperial Inn – USD 25 (PEN 83) por uma diária.

Quarto com duas camas e com banheiro. Móveis antigos, estrutura super simples, mas com conforto. Café da manhã incluso, simples e bom. Wi-fi bom. A moça que nos atendeu -Yesica – foi extremamente gentil e simpática, fez de tudo para nos atender da melhor forma possível.