28/07/2016

O passeio saía 8h30min, por isso precisávamos estar na frente da agência 15 minutos antes. Fomos pontuais, mas a agência estava fechada ainda e não tinha ninguém lá. Ok, ficamos esperando. Em seguida chega uma pessoa da agência do lado (não gravei o nome, mas é exatamente do lado da Marcelo’s) e quase junto com ela um grupo de uns oito brasileiros. A pessoa dessa agência disse para eles que eles tinham perdido o passeio porque estavam atrasados (detalhe é que ela recém tinha chegado ali!). Nossa, aquela gente ficou furiosa! Começaram a fazer um barraco: que era um absurdo, que no dia anterior eles chegaram no horário e o passeio saiu atrasado, que queriam o dinheiro de volta, que queriam saber se no Peru existiam direitos do consumidor (oi?) blá blá blá. Não consegui me envolver muito para ver quem é que tinha razão na história porque eu estava era preocupada com que chegasse alguém da nossa agência, já era quase 8h30min. Logo apareceu um cara e nos acompanhou até a Plaza Regocijo, enquanto esse grupo ficou ali brigando. Por via das dúvidas, acho prudente evitar essa agência.

Na Plaza Regocijo aquela mesma confusão do dia anterior: um guia chama uns nomes aqui, outro chama outros de lá, um pergunta quem é fulano só para dizer que não é o guia dele, e assim vai. Dali a pouco um grupo saiu caminhando em direção ao ônibus, ninguém nos chamou mas como já havia poucas pessoas por ali, acompanhamos. Tive que perguntar se era o tour certo e era, se a gente não sai atrás deles a gente já perde o passeio também. Fiquem espertos!

Antes de ir conhecer as Salineras de Maras, paramos em uma empresa familiar de tecelagem de lã de alpaca. Eles demonstram como é feito todo o procedimento desde a limpeza da lã, tingimento usando ervas, sementes e até insetos, até a confecção de uma peça como, por exemplo, um tapete. Foi interessante, dá para ver que é um trabalho que passa de geração em geração há muito tempo. Achei curioso saber que o que dá a coloração vermelha é um inseto chamado cochinilla, na verdade o vermelho aparece quando o bicho é esmagado. Elas usam isso até como batom.

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Confecção de produtos com lã de alpaca.

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Produtos naturais para tingimento das lãs.

Após toda a demonstração, todos são convidados a conhecer a loja e a adquirir produtos feitos ali mesmo. Mas esse trabalho extremamente artesanal tem um custo e, para o meu bolso, aquelas peças são bastante caras. Não que não valha o preço, deu para ver que é muito trabalhoso e que deve ser valorizado, sim.

A chegada às salineras é cheia de emoção, descendo umas estradinhas de terra à beira de barrancos enormes! Mas o visual é sensacional. Saindo do ônibus já se tem uma visão ampla e muito bonita. Para acessar a parte baixa e chegar nos poços de sal, temos que descer um trecho em escadas, boa parte por um corredor cheio de lojas de artesanato e lanches.

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O guia aproveita essas lojas para dar explicações ali mesmo sobre os tipos de sal que são retirados dali, como as famílias se organizam para explorar os poços etc. E depois temos um tempo livre para explorar.

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Galera trabalhando nos poços de sal.

O lugar é mesmo muito pitoresco. Temos que caminhar o tempo todo por espaços estreitos entre um poço de sal e outro. O sal é proveniente de uma nascente de água salgada no alto da montanha (eu achei isso bizarro!). Em uma parte do caminho passamos por um filete dessa água e ela é mesmo muito salgada (sim, eu provei)!

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Se equilibrando nos caminhos estreitos entre os poços.

 

Depois, fomos ao sítio arqueológico de Moray. Ah, Moray está inclusa no boleto turístico de Cusco, mas Maras não (tem um ingresso à parte).

Novamente, o guia dá algumas explicações antes de liberar a galera para ficar por conta. A teoria mais aceita sobre Moray é que ele era um laboratório agrícola, onde cada degrau possuía um microclima diferente em função da sua altitude, e por isso cada tipo de alimento se desenvolvia melhor nos degraus mais altos ou nos mais baixos, conforme sua característica. Sensacional!

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O tempo livre que temos é curto para um lugar tão grande. Não é permitido atualmente chegar ao ponto mais baixo do círculo principal. Há um outro círculo menor no lado oposto ao do estacionamento, fomos lá rapidinho e subimos pelo outro lado, circundando o sítio. A subida não é fácil naquela altitude (cerca de 3500m acima do nível do mar), chegamos de volta suando e esbaforidos!

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Círculo menor de Moray.

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Detalhe dos degraus entre os terraços.

Voltamos para Cusco no começo da tarde e resolvemos pegar umas cervejas no mercado e sentar na Plaza de Armas para ver a vida passar. Um senhor passou por nós e disse que gostou da nossa ideia, pediu a dica de onde comprar as cevas eheh (tinha sido no mercadinho mesmo).

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Fomos na Marcelo’s fechar o tour para o dia seguinte, dessa vez o passeio para o Vale Sagrado. Pediram para a gente passar na agência, mas facilitamos as coisas e dissemos que iríamos direto para a Plaza Regocijo, já que todas saem de lá.

Depois de um bom tempo nos deu fome e resolvemos comer umas empanadas que tínhamos visto em um bar a caminho do Mercado San Pedro. Chegando lá, tinha só uma menina no balcão e a tevê ligada passando o Chaves. A menina estava simplesmente vidrada na tevê, se divertindo, rindo sozinha. Dali a pouco ela se deu conta da nossa presença e conseguimos fazer nosso pedido. Ela nos serviu, se sentou e voltou a assistir seu programa. Ahahah, não sei o que foi mais divertido: se foi ver a menina rindo sozinha vendo o Chaves, ou se foi assistir ao programa pela primeira vez na vida no seu idioma original. As vozes são muito diferentes, que engraçado!

Demos uma passeada na Plaza San Francisco, bem ali em frente. Estava rolando uma feira de artesanato, comprei um casaco com estampa peruana bem colorida, bem bonito. Passamos também no escritório da Peru Rail (fica na Plaza de Armas) para trocar os voucher que tínhamos recebido por e-mail pelos tíquetes de trem para Águas Calientes.

Mais tarde, depois que anoiteceu, fomos passear no bairro San Blás. Queríamos ver de novo a pedra dos 12 ângulos e tentar descobrir onde era a parte do muro inca onde as pedras formam o desenho de um puma. Pedimos uma informação para uma mulher e ela nos deu um caminho todo errado, ficamos andando sem achar nada. Quando desistimos e resolvemos voltar, passamos por uma esquina que tinha um cartaz com uma foto do tal desenho do puma e uma seta apontando para seguir por ali. Foi na sorte que encontramos. Bem em frente ao “puma”, tem uma loja de artesanato com outro cartaz, mostrando onde no muro está o desenho. Sem isso, eu não teria conseguido ver.

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Consegue ver o puma?

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E agora? 😉

Decidimos provar o famoso cuy, prato típico. Confesso que eu estava com um certo “nojinho”, mas as pessoas que comeram tinham dito que tem um gosto parecido com frango, então criei coragem e resolvi encarar. Pesquisamos alguns restaurantes e escolhemos o Bohemia, os atendentes foram muito simpáticos.

Pedimos um ceviche de entrada, se o tal do cuy fosse ruim pelo menos na entrada a chance de erro era menor. A apresentação dele não é nada apetitosa, o bicho vem estatelado no prato, inteirinho.

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Cuy em sua apresentação pouco apetitosa.

Realmente, a carne tem um sabor semelhante ao frango e estava muito bem temperada, saborosa mesmo. Porém, dá muito trabalho destrinchar os seus pedaços para tirar poucos fiapos de carne. Valeu a experiência, mas não faço questão de comer novamente.

Alguns gastos (soles):

  • Salineras de Maras: 10
  • Tour Valle Sagrado: 25
  • Janta para dois: 93