27/07/2016

O tour que estava agendado era no período da tarde, então aproveitamos a manhã para ir a alguma atração que estava inclusa no boleto turístico. Escolhemos o Museu Histórico Regional.

Quando estávamos na segunda sala do museu, passou uma funcionária avisando que já iria começar uma visita guiada e que quem quisesse acompanhar deveria aguardar na entrada do museu. Claro que decidimos acompanhar.

O museu, que funciona em um casarão colonial onde viveu o poeta espanhol Garcilaso de la Vega, está longe de ser dos mais sensacionais, mas a visita guiada o deixou bastante interessante. Objetos incas e pré-incas, além de pinturas de artistas cusquenhos, formam o acervo. Achei particularmente tocante a seção dedicada à Tupac Amaru II. Ele foi um inca que viveu sob o domínio espanhol e organizou rebeliões contra os colonizadores, porém foi preso, condenado e… desmembrado em praça pública 🙁 .

tupac amaru

Quadro retratando o desmembramento de Tupac Amaru II.

A visita durou em torno de uma hora, depois disso fomos ao Mercado de San Pedro dar início às comprinhas de artesanatos para nós e algumas lembrancinhas 😛 . Compramos uma colcha de cama e uma toalha de mesa, ambos muito coloridos, bem lindos.

Encontramos um restaurante na Calle Marquez que servia menu do dia (entrada+sopa+prato principal+suco) por um preço bem amigo, chama-se Antojito’s. De fora parecia minúsculo, mas para os fundos tinha diversas mesas. A entrada era uma salada de tomate e abacate, um pãozinho e uns molhos para temperar. Depois a sopa de legumes, deveria ter uns quatro tipos diferentes de batatas naquela sopa e era incrível como cada uma tinha um sabor bem diferente da outra. De prato principal, algumas opções entre bife, frango, peixe etc. Comemos truta, que lá é oferecida nos restaurantes como um prato popular, e não caro como costuma ser no Brasil. O suco podia ser limonada ou de maiz morado. Lembrei daquele suco de maiz morado que eu tinha experimentado em Lima e que tinha mais açúcar do que qualquer outra coisa, e pedi a limonada. Dei aquele gole esperando a acidez do limão e… eca! Parecia um xarope de tão doce! O Rodrigo pediu o de maiz morado e estava igualmente doce. Parece ser o gosto deles, mesmo.

Chegamos no horário marcado na agência Marcelo’s, onde compramos o City Tour. Apesar do nome, esse passeio visita alguns sítios arqueológicos nos arredores de Cusco (Qoricancha, Saqsayhuaman, Qenqo, Tambomachay e Pucapucara). Nos acompanharam até a Praça Regocijo, de onde o passeio partiria. Chegando lá era uma confusão de turistas e de guias, e os guias se organizando para ver quem ia com quem, chama fulano para cá, beltrano para lá… Não posso afirmar, mas me pareceu que diversas agências da cidade vendem os passeios e no fim vai todo mundo parar naquele mesmo bolo ali.

Fomos a pé até o primeiro local do passeio, o sítio de Qoricancha. O lugar tinha uma importância religiosa muito grande para os incas, mas com a chegada dos espanhóis e sua necessidade de impôr as suas crenças sobre o povo local, foi construída uma igreja por cima do templo original. Acontece que os incas manjavam dos paranauês antissísmicos 😀 e os espanhóis não, então alguns terremotos colocaram abaixo algumas partes da igreja e revelaram construções incas intactas e maravilhosas!

qoricancha

Pátio interno em Qoricancha.

qoricancha detalhe

Detalhe das construções incas: a perfeição do encaixe das pedras e a simetria entre as janelas.

Nosso guia do dia era um inca. Fala o idioma quéchua (e inclusive esse é o seu apelido), segue muitas das tradições e desde o começo do passeio transpareceu sua paixão em falar sobre seu povo, sua cultura e seu legado. Ele não tinha muita paciência com quem estava mais preocupado em tirar milhares de fotos ou em ficar batendo papo enquanto ele dava explicações. Como queríamos ouvir o máximo de informações possíveis, acompanhamos ele de pertinho.

Ah! Informação importante: o sítio de Qoricancha não está incluso no boleto turístico, a entrada lá é paga à parte.

Dali, voltamos para a praça onde tinha começado o passeio para pegar o ônibus que nos levaria aos sítios seguintes. No nosso grupo havia mais quatro brasileiros malas. Turista mal-educado tem de qualquer lugar do mundo, mas quando é brasileiro incomoda mais porque: 1) dá vergonha por ser do mesmo país que tu, 2) dá para entender todas as porcarias que eles falam. Um deles largou a primeira pérola: “Pô, comprei um city tour e vou ter que pegar um ônibus para ir para outro lugar?”. Em primeiro lugar, city tour não necessariamente é a pé, acho que ele esperava um walking tour. Em segundo lugar, se ele tivesse se informado minimamente sobre como funciona esse passeio, ele saberia sobre a parte de ônibus.

Bom, a visita seguiu, agora em Saqsayhuaman. Uau! Lugar grandioso, sensacional. Realmente impressionante a engenhosidade que eles tinham em encaixar as pedras, algumas delas são gigantes!

sacsayhuaman

Sacsayhuaman: uau!

Ouvimos algumas explicações dadas pelo Quéchua (inclusive alguns puxões de orelha dirigidos aos brasileiros que estavam mais interessados em ficar de papo furado) e depois ficamos livres para explorar o lugar por conta.

sacsayhuaman detalhe

Olha o tamanho das pedras!

Próximo lugar: Qenqo. Esse é um sítio menor, resta pouca coisa dele. A atração é uma pedra gigantesca com uma fenda através da qual passamos, uma espécie de portal. Era usada em rituais e oferendas.

qenqo

Fenda na pedra em Qenqo.

A seguir, conhecemos Tambomachay. Uma boa caminhada subida acima até chegar nas ruínas.

Existe um aqueduto aqui e algumas pessoas insistem em beber dessa água acreditando em poderes mágicos, mas fomos avisados de que o máximo que conseguiríamos seria uma bela dor de barriga 😀 .

tambomachay

Tambomachay.

tambomachay detalhe

Mais uma vez, nosso guia xingou os outros brasileiros eheh, deu informações sobre o lugar e depois nos deu um tempo livre.

Fica a dica: se não queres ouvir explicações do guia, saia de perto e não atrapalhe os outros que querem 😉 . Os lugares são lindos e ótimos para fotos, mas aproveite que o guia está incluso e enriqueça (muito) o seu passeio!

tambomachay paisagem

Paisagem vista durante a descida do sítio de Tambomachay.

Quando chegamos na última parada, Pucapucara, já era noite. Só entramos nas ruínas, que são pequenas, e saímos.

Chegando de volta em Cusco, fomos novamente na Marcelo’s fechar o passeio do dia seguinte. Esperamos fazer o primeiro passeio e ver se dava tudo certo antes de fechar o segundo. Marcamos o tour para Maras e Moray.

Mais tarde, jantamos na Trattoria Adriano. Comida italiana simples, boa e com preço justo.

Alguns gastos (soles):

  • Almoço no Antojito’s: 13
  • Entrada Qoricancha: 15
  • Tour Maras e Moray: 25
  • Janta para dois no Trattoria Adriano: 58