24/07/2016

Arequipa está a 2300m em relação ao nível do mar, e começamos a sentir os efeitos da altitude com uma pequena falta de ar quando subimos algumas ruas mais íngremes no dia anterior. Mas isso não foi nada perto do que estava por vir.

O bom de comprar o tour do Cañon del Colca com o próprio hostel Casa de Sillar é que eles dão todo o suporte. Prepararam o café da manhã mais cedo do que o horário normal, pois o microônibus passou bem cedo; fizeram uma garrafa de chá de coca para a gente levar e nos deram um punhado de folhas de coca; ficaram com nossa mala (levamos no tour apenas mochilas com o mínimo necessário); nos emprestaram toalhas para levar; e, quando, chegamos de volta, nos deixaram tomar banho, mesmo já tendo feito check out. Eles realmente foram muito hospitaleiros e gentis.

Cedinho o microônibus nos pegou e depois de nós creio que parou ainda em mais uns dois hotéis para pegar as pessoas que faltavam. Partimos.

Um trecho de trânsito considerável dentro da cidade, mas sempre com a companhia do Misti e do Chachani. Cerca de uma hora depois, a paisagem começou a mudar. Menos construções e mais natureza. Campos enormes e os vulcões ao fundo. Ali é comum haver grupos de vicunhas, e o guia já tinha avisado que quando avistasse um pararia para que todos pudessem descer, olhar e tirar fotos. Não demorou quase nada.

vicunha 01

Vicunhas livres.

vicunha 02

Lindas!

vicunha 03

Placa alertando que vicunhas podem cruzar a pista.

As vicunhas são parentes das lhamas e das alpacas, porém são animais selvagens. Sua lã tem alto valor comercial, pela qualidade. Existem regulamentações para a extração, pois o bicho já esteve em risco de extinção. Atualmente sua população vem crescendo, mas ainda encontra-se ameaçada.

Além de ter sido incrível ter visto os animais ali, livres, no seu habitat, eu estava encantada com a paisagem.

vicunha 04

Fantástico vê-las ali, no seu próprio habitat.

Continuávamos sempre subindo e, antes de sentir algum efeito da altitude, íamos dando goles no chá de coca e mascando uma ou outra folha de coca. Lembrando que tanto o chá como as folhas são completamente legais por lá. E não, eles não dão nenhum efeito alucinógeno ou nenhum tipo de barato. Simplesmente amenizam a sensação de falta de ar, dor de cabeça ou tontura.

Paramos em um restaurante que é um ponto de encontro entre vans e ônibus. Ali eles organizam passageiros que estão vindo ou indo para diferentes cidades. Tira um de um ônibus, coloca em outra van, e assim por diante. O guia nos recomendou tomar o “mate inca” vendido nesse restaurante, teoricamente ainda mais eficaz do que o chá de coca. Era um canecão bonito, cheio de ervas dentro… e por que não? Não sei se fez diferença, mas era bom!

cha inca

Nós e o mate inca. Lá atrás, El Misti.

Na parte externa tinha um cercado com algumas alpacas e, claro, a turistada toda na volta tirando fotos com elas. Uma senhora que estava no nosso tour não se contentou em ficar do lado de uma, mas queria que a alpaca saísse olhando para a foto. Pegou a cabeça do bicho com as duas mãos e ficou puxando para ela virar para a frente, até que… a alpaca deu uma cusparada nela! Huahuahua, todo mundo na volta já estava esperando isso acontecer. Tudo bem que são animais domesticados, mas não abusa!

alpaca

Alpaca que deu uma cusparada na senhora sem noção!

paisagem

Visual sensacional, durante todo o caminho!

Seguimos viagem por mais um tempo, sempre subindo. Diversas montanhas tinham seus picos nevados. Eu estava preparada para ver lugares lindos em alguns pontos durante o tour, mas não esperava que o próprio trajeto fosse tão encantador!

Chegamos no Mirante dos Andes, um ponto de observação de diversos vulcões, inclusive o Ampato (onde foi encontrada a Juanita). Esse foi o ponto mais alto que chegamos, 4850m. Fui caminhando devagarinho, mas senti uma certa tontura. Com aquele visual deslumbrante, nem chegou a atrapalhar.

mirador 01

Mirante dos vulcões.

mirador 02

Vulcão ativo, expelindo fumaça. Sensacional!

mirador 03

Esses montinhos de pedra são oferendas aos apus – ou “espíritos da montanha”.

Quando voltamos para o micro-ônibus, uma moça começou a passar mal, com falta de ar. O guia ficou ali com ela, para ela se acalmar, respirar devagar, ficar quietinha, e dali a pouco ela estava bem.

O próximo destino era Chivay, mas na estrada fizemos uma pequena parada. Um senhor fica ali com suas lhamas só para os turistas poderem tirar fotos com elas. Uma estava enfeitada com a bandeira do Peru! Tanto as lhamas como o senhorzinho eram muito fofos. É claro que ele faz isso esperando em troca alguns soles, que demos com o maior prazer.

Na entrada de Chivay existe um pórtico e um postinho de controle onde temos que pagar o Boleto Turístico del Colca. Após isso, fomos a um restaurante almoçar. Um buffet de comidas típicas, daqueles bem típicos que as agências de turismo levam as pessoas, mas estava bom. Provamos o rocoto relleno, um prato peruano. É um tipo de pimenta, bem parecido com um pimentão (vermelho ou amarelo) porém muito mais picante, recheado de carne moída. O Rodrigo pegou um vermelho achando que era tomate recheado ahah, sorte dele que eu provei primeiro o meu, que era amarelo, e avisei que o troço era forte. Não consegui comer mais do que duas garfadas, achei muito picante, já o Rodrigo acabou com o dele. Além disso, provamos a carne de alpaca (boa!) e uma sopa de quinua que estava deliciosa. De sobremesa, um creme, parecido com uma gelatina, de milho roxo, o mesmo usado para os sucos. Interessante.

chivay

Conhecemos um casal durante o almoço, ela uma venezuelana que mora em Paris, ele um paulista que conhece bem Porto Alegre porque é onde os pais vivem. Comentei com ela que eu tenho muita vontade de ir à Venezuela, especialmente para conhecer as praias e o Salto Angel, e ela na hora me jogou o balde de água fria: “te recomendo não fazer isso agora… espera mais uns anos!”.

Fomos fazer o check-in e deixar as coisas no hotel. Só o tempo de largar bagagens e pegar as roupas de banho para ir a La Calera.

Apesar dos aproximados 8º que faziam, não perderíamos a oportunidade de tomar banho em uma piscina de águas termais aquecidas pelos vulcões. La Calera é um lugar lindo, entre montanhas, com um pequeno rio passando ao lado. São cinco piscinas disponíveis, algumas fechadas e outras ao ar livre. Perguntei logo qual era a de água mais quente, nos metemos lá e ficamos até a hora de ir embora.

la calera 01

la calera 02

la calera 03

Simplesmente bom demais! Tirar a roupa para entrar na água e sair dela para se vestir depois são momentos um pouco delicados, mas dentro da piscina, a deliciosos 40º, é muito bom. Tivemos que fazer uma logística para podermos fotografar um ao outro dentro da água eheh. Eu saí da água, fui até o armário correndo, peguei o celular, fotografei ele, larguei o celular, entrei na água enquanto ele saiu, me fotografou, guardou no armário correndo e se arremessou para dentro da água de volta ahahah.

Fomos embora dali quando o sol já estava se escondendo atrás das montanhas e a temperatura baixando.

À noite, pensamos em ir jantar por conta em vez de ficar acompanhando o grupo da excursão naquela função toda. O hotel ficava a duas quadras da praça principal da cidade, então caminhamos até ali para procurar um restaurante. Fazia muito frio! Um vento cortante. Chegamos a ver que havia alguns lugares para jantar, mas teríamos que dar uma passada em um por um, ver o cardápio, etc… Resolvemos voltar para o hotel e acompanhar o resto do grupo, pensamos que, pelo menos, ficaríamos dentro do ônibus quentinho.

Retornamos ao hotel e o guia já estava saindo com o pessoal. No fim das contas, o restaurante ficava bem perto e fomos todos a pé mesmo. Lugar cheio de turistas, os garçons mal davam conta de atender a todos, os pedidos demoraram a sair e a comida era bem mais ou menos. Mas teve várias apresentações de dança, os bailarinos em trajes típicos, números onde eles pegaram turistas para participar, e até trenzinho dançante por todo o salão. Uma senhorinha que estava no passeio com nós (mãe da mulher que tomou a cusparada da alpaca ahah) nos impressionou com a sua disposição, não perdia a oportunidade de se enfiar lá no meio e dançar. Foi divertido!

restaurante chivay

Alguns gastos (soles):

  • Mate Inca: 4
  • Boleto Turístico del Colca: 40
  • Almoço para dois: 65
  • Ingresso La Calera: 15
  • Janta para dois: 60

Hospedagem: Hostal La Estancia. Super simples. Quarto pequeno com banheiro. Café da manhã bem modesto. Na verdade, esse hostal não foi escolhido por nós, mas estava incluso no pacote que compramos do Tour Cañon del Colca. Por 75 soles por pessoa incluindo transporte, guia e hospedagem, não seria diferente.