23/07/2016

Acordamos 100%, que bom! O café da manhã era bem bonzinho, eles faziam ovos na hora, mexido ou frito, e tinha pão, manteiga e geleia, café, leite e suco. Simples e satisfatório.

Saímos cedo porque tínhamos só um dia para conhecer Arequipa e muitos lugares de interesse. Colocamos o pé para fora do hostel e demos e cara com ele: El Misti! O de verdade, não o que estava hospedado no quarto do lado do nosso 😀 . O Rodrigo começou a tirar diversas fotos ali mesmo, eu disse para ele para irmos logo pois teríamos lugares com visão muito melhor do vulcão para tirarmos fotos e ele respondeu “Mas é um vulcão de verdade! Eu nunca tinha visto um vulcão de verdade!”. Ahahah, eu também não, ficamos ali um pouco olhando o vulcão e seguimos em direção ao Mirador de Yanahuara.

Arequipa na verdade está junto a dois vulcões. O El Misti é o mais famoso, pois tem um formato cônico bem perfeito, mas ao lado há outro vulcão, o Chachani. No caminho para o mirador atravessamos a Ponte Grau e dali sim a visão dos vulcões era espetacular, especialmente do Chachani.

arequipa

No caminho para o Mirador de Yanahuara, essa paisagem maravilhosa com o Chachani ao fundo!

chachani

A subida a pé até o Mirador é fácil. Lá de cima, é claro, a paisagem é muito bonita. Há também muitas construções em sillar, tipo de pedra vulcânica branca muito usada em Arequipa e que dá à cidade o apelido de Ciudad Blanca. A igreja de Yanahuara, com uma fachada muito bonitinha (não entramos) também foi feita em sillar.

el misti

El Misti visto do Mirador de Yanahuara.

yanahuara

Arco em sillar, no Mirador de Yanahuara.

Precisávamos voltar ao hostel para encontrar o Juan Carlos, proprietário do hostel, e fechar com ele o passeio para o dia seguinte. Pegamos um táxi para ganhar tempo, já que era bem barato mesmo.

Acertamos o passeio para o Cañon del Colca, incluía o transporte com guia e a pernoite em Chivay com café da manhã.

Depois disso, fomos até a Plaza de Armas. Muito linda, tudo branquinho! Era um dia superagradável de sol, pessoas passeando, crianças brincando, vendedores de souvenirs, cachorros correndo… Sentamos um tempo ali e ficamos vendo o movimento.

catedral arequipa

Catedral de Arequipa, na Plaza de Armas.

Fomos ver direitinho onde era o Museu Santuários Andinos para visitar mais tarde. Depois de localizado, andamos até a Plaza San Francisco, de onde sairia um Free Walking Tour (mais informações em http://www.fwtperu.com/fwt-arequipa.html) às 12h30. Chegamos uns 15 minutos antes, o guia já estava por ali, nos juntamos ao grupo e ainda deu tempo de fazer um lanche em um barzinho em frente, uns bolinhos de batata recheados com carne que estavam bem bons. Conhecemos ali um alemão que também acompanharia o Free Walking Tour, ele praticava capoeira (vejam só!) e por isso tinha aprendido a falar um pouco de português. Estava fazendo uma viagem de 4 meses pela América do Sul que terminaria em Salvador, para um evento de capoeira com o mestre do seu grupo.

Uma breve apresentação dos guias e das pessoas participantes e partimos. Primeiro fomos até a Plaza Campo Redondo e em seguida à Igreja San Lázaro, onde contam que a cidade foi fundada. Logo ali ao lado há uma loja de produtos de lã de Alpaca, e nos fundos dela algumas alpacas e lhamas (e uma explicação sobre as diferenças entre elas), demonstrações sobre o processo de obtenção da lã, tingimento e tecelagem. Claro, tudo termina na loja, onde espera-se que as pessoas façam compras.

lhama

Essa cinza aí é uma lhama e, lá ao fundo, alpacas.

lhama close

Olha que carinha bonitinha que ela tem!

alpaca

As alpacas também são bonitinhas!

Seguimos pela Plaza de Armas, Iglesia de La Compañia e claustro dessa. Todos os pontos com paradas para explicações e histórias sobre o lugar.

iglesia la compañia

Fachada da Iglesia de La Compañia.

Na entrada do Claustro de La Compañia, havia uma moça vendendo “queso helado”, um sorvete de baunilha que ganhou esse nome por ter aspecto de queijo. Ela deu uma provinha para cada pessoa do tour e muitas pessoas, inclusive nós, acabaram comprando uma porção. Gostosinho e refrescante.

O claustro é muito bonito! Ali sentamos para ouvir mais umas histórias sobre Arequipa. Após, fomos até o Mercado San Camilo, ver e aprender um pouco sobre produtos locais.

claustro chachani

claustro

claustro la compañia

Voltamos para a Plaza de Armas e entramos em um restaurante onde o dono mostra a cozinha, fala um pouco sobre a produção de pratos típicos e mostra alguns ingredientes. O Free Walking Tour fala que inclui uma aula de culinária, mas não é bem isso, é mais uma visão geral da culinária local. O dono do restaurante era uma figura ímpar, fez reflexões profundérrimas sobre como o ato de cozinhar está ligado ao amor, e o amor ligado à união entre as pessoas, e as pessoas conectadas à mãe terra, e a mãe terra nos fornece os alimentos, com os quais se fazem novos pratos para alimentar as pessoas de amor, e assim o ciclo não acaba nunca… Uou! Depois da viajada pelo cosmos que o cara deu, subimos ao terraço do restaurante. Uma vista excelente da Plaza de Armas e dos vulcões.

plaza armas arequipa

Plaza de Armas vista do terraço, com El Misti ao fundo.

Por fim, seguimos todos até um bar onde todos receberam provinhas de pisco sour. Eu não tinha gostado do que eu tinha provado em Lima, mas esse eu achei muito bom, e o que fez a diferença foi que este estava bem geladinho! O guia fez umas brincadeirinhas e umas perguntas sobre as informações que ele deu durante o passeio, e quem acertou as perguntas ganhou um copão de pisco sour. Todos foram então convidados a contribuir com o que achassem justo com os guias (um cara foi o guia principal e uma moça o auxiliou) e depois quem quisesse poderia ficar no bar mesmo, para confraternizar com os outros, comer ou beber algo… Fomos embora, porque ainda queríamos conhecer dois lugares da cidade e já eram três e meia da tarde.

meninas lhamas

É comum ver meninas ou mulheres, usando roupas típicas e com filhotes de alpaca, oferecendo para tirar fotos com os turistas.

Entramos no Convento de Santa Catalina. É quase uma cidadezinha dentro da cidade. Por muito tempo as freiras viveram ali enclausuradas, e hoje eles mantém diversos ambientes como eram naquela época: os móveis dos quartos, as cozinhas, as salas de refeições… É muito legal! As pequenas ruas são muito bonitinhas, pintadas de cores fortes e decoradas com vasos de flores. Um lugar excelente para caminhar sem pressa, curtindo a beleza.

convento

convento ruazinha

convento rua

convento fonte

Mas nossa visita não foi o que se pode chamar de “sem pressa”, porque ainda queríamos ir ao Museu Santuários Andinos. Saímos do Convento quase no horário do seu fechamento, às 17h, e praticamente “rolamos” lomba abaixo para dar tempo de fazer uma visita razoável no museu, que fecha às 18h.

museu santuarios andinos

Entrada do Museu Santuários Andinos.

As visitas no museu são sempre guiadas, apesar do guia não ser remunerado pelo museu e sugerir-se uma gorjeta para ele ao final. Aguardamos uns minutinhos antes do início do nosso tour. Não são permitidas fotos no interior do museu e há junto à bilheteria um guarda-volumes onde temos que deixar mochilas, câmeras e celulares (prestem atenção nisso: celulares também).

Inicialmente, assistimos a um vídeo de uns 10 minutos que conta brevemente como viviam os povos andinos, suas crenças e os rituais de oferecer crianças como oferendas aos seus deuses. Depois vamos passando por salas com cerâmicas, tapeçarias, utensílios e adornos desses povos. O museu é pequeno porém muito bem montado para culminar na sua maior atração: a Juanita.

Juanita é o nome que foi dado ao corpo de uma menina que foi morta em um desses rituais de sacrifício. Foi encontrada na cratera do vulcão Ampato, a mais de 6 mil metros de altitude, e o frio do local a conservou por cerca de cinco séculos. Seu estado de conservação permitiu muitas descobertas e compreensão de como eram e o que significavam esses rituais. Não é exatamente uma múmia, pois não passou por um processo de mumificação, mas seu estado de conservação é impressionante. Unhas, cabelos, pele… é incrível! Em alguns meses do ano, eles retiram a Juanita para trabalhos de conservação e estudos e colocam em seu lugar outra “múmia”, a Sarita, que dizem que não está tão bem conservada mas que também é bem impressionante.

Todo o museu tem uma iluminação baixa, principalmente a sala onde está a Juanita, e a temperatura também é bem baixa para conservação do acervo, convém usar um casaco.

Na última sala do museu, logo após a Juanita, começou a tocar o celular de uma moça. A guia deu aquela fulminada com os olhos e pediu que ela se retirasse. Ela ainda tentou dizer que iria desligar e a guia foi firme e forte em dizer que ela deveria ter deixado o celular na recepção e que agora não adiantava desligar, ela deveria se retirar. E só retomou suas explanações depois que a moça saiu. Fiquei com vontade de bater palmas para a guia! Isso aconteceu quase no fim da visita e quando saímos a moça estava lá com cara de cachorro abandonado, esperando as pessoas que estavam com ela ahahah.

Ufa! Corremos mas conseguimos dar conta de ver tudo que queríamos em Arequipa! Não foi no ritmo que gostamos, mas era o tempo que tínhamos e deu para encaixar tudo!

À noite, fomos ver a Plaza de Armas iluminada. Ainda mais bonita!

catedral noite

plaza armas noite

Jantamos em um lugar que o Juan Carlos (do hostel) nos tinha indicado, o Hatunpa. A proposta é servir variados tipos de batatas com alguns acompanhamentos de carnes e molhos. O lugar é pequeno e aconchegante, com decoração colorida, e a comida é simples e gostosa. O interessante foi comer diversificados tipos de batatas e ver que os sabores, de fato, são diferentes. Achei muito simpático o detalhe de que eles perguntam a cada cliente de que país ele é, e colocam na mesa uma bandeirinha de seu país, junto com a do Peru.

Antes de voltar pro hostel, passamos em um mercadinho para comprar água, biscoito e uns lanchinhos para o passeio do dia seguinte.

 

Alguns gastos (soles):

  • Táxi do Mirador de Yanahuara até o hostel: 6
  • Porção de queso helado: 3
  • Convento de Santa Catalina: 40
  • Museu Santuários Andinos: 20
  • Tour Cañon del Colca: 75
  • Janta para dois no Hatunpa: 40